Wednesday, January 28, 2015

Escuridão


Não há escuridão maior que a ignorância, não aquela que provem do desconhecimento, mas a que nos orgulhamos de ter.  Não saber nunca foi um erro, não querer saber é o grande ponto de inflexão entre seguir em frente e manter-se no mesmo local, girando, procurando manter a sensação de segurança que esse ignorar proposital proporciona.

Não abrir portas para perguntas e questionamentos, não aceitar outras opções, novas visões de velhas afirmações, é a tendência daqueles que se acomodaram nas certezas seguras da ignorância. O grande segredo da vida, do universo, está nas perguntas que fazemos e não nas respostas – seres voláteis e incompletos – que teimamos em nos apoderar e usar como ancoras de certezas.

O desejo de saber é humano, mesmo que muitos prefiram não saber, apenas acreditar no que é dito, como se o conhecimento fosse algo pronto, embalado a ser comprado em qualquer loja de departamento do mundo. Surpreende que não seja quase uma necessidade conhecer a estrada que nos trouxe até aqui. Quem, conscientemente, não se apaixonaria pelo percurso que fizemos desde o momento em que ficamos sob nossas pernas, eretos até as viagens a lua, o pouso em asteróides, incluindo ai a capacidade de prolongar a vida, e até mesmo produzir vida – os ditos bebes de proveta são um exemplo – seja animal ou vegetal.

Pegar a estrada que nos leva de descobrimento em descobrimento, de objetivo em objetivo, só nos prova de muitas formas como tudo que nos cerca é humano, como tudo provém de nós e de ‘insights’ que ocorreram e ocorrem em mentes semelhantes as nossas. Feche os olhos e comece com os sumérios, seguindo pelos babilônios e caminhe até Londres, Paris, Roma ou Nova Iorque, seguindo cada trilha que trouxe conhecimento e novas perguntas.

Por que temos medo de perguntar? Qual a razão misteriosa ou psicológica que faz a grande maioria aceitar os enlatados produtos etiquetados como verdade. Nos calamos diante do que importa, gritando como enlouquecidos pelos trocados menos importantes. Aceitamos tanto passivamente. Deixamos de perceber muito por causa dessa nossa acomodação ao pré digerido. Queria ver mais pessoas parando e pensando, analisando e acima de tudo questionando.

Será que ter um pequeno grupo de pessoas com o poder de controlar alimento, combustível, água e tudo que é produzido neste mundo é aceitável? Será que calar-se enquanto o agora – e suas implicações ecológicas e sociais – é mais importante que o sempre. Não compreendo essa quase disfunção entre a realidade do que acontece e como as pessoas observam e interagem cm essa realidade.

A natureza tem gritado suas necessidades através de mudanças drásticas que castigam milhares de pessoas, muitas vezes nações inteiras. A necessidade, aliada ao desejo de manter o poder, tem levado países a interferir em outros ou não, permitindo que guerras civis tirem do mundo milhões de pessoas – seja pela ação (guerra) ou pela inação (silencio). Governos, em todo mundo, prometem o que não podem entregar: uma vida mais fácil, mais completa, mais igualitária, isso não é possível, a compreensão disso vem de se saber fazer as perguntas certas e observar o mundo sem os preconceitos e conceitos de outros. Estamos perdendo tempo, acreditando que governos nos darão prosperidade, precisamos de todas as formas analisar a situação, criar o ambiente para que, retomemos o controle de nossa sociedade, não permitindo que ela seja controlada por grupos – religiosos, políticos, econômicos – que nada enxergam além de sua própria sobrevivência, usando como ferramenta nossa ignorância e preconceitos, nossa inércia e nossos medos.

Muitas são as perguntas que precisam ser respondidas, em todo mundo, em cada esquina das grandes cidades, existem questões das quais fugimos. Pretendemos ser revolucionários, politicamente educados, sem no entanto saber questionar, analisar e colocar na mesa nossos pontos de vista. Gritamos por centavos, enquanto o mundo está sendo sugado, retorcido e controlado pelos milhões que não temos.

Não que a igualdade seja algo natural, não é, mas a defectível desigualdade que estamos engolindo silenciosamente, também não é natural. Onde estão nossas possibilidades. Cada vez mais, os grandes centros de conhecimentos são controlados por alguns poucos, cada vez menos temos acesso a esse conhecimento, anão ser como informação compartimentada e dispersa que somos incapazes de compreender.

Me choca ver, mentes brilhantes serem presas à necessidades, quando, se livres estivessem, produziriam opções. Estarrece-me observar, quantos esperam uma oportunidade que nunca virá, quantos a tem e não sabem como utilizá-la. O mundo anda confuso, preso entre reality shows, livros de auto-ajuda, notícias de jornais na televisão. Mais importante que tudo é a maquiagem do dia, o vestido de alguma ‘celebridade’ produzida por uma industria, efêmera celebridade, com muito a vender – de musica a roupa, de bebidas a aparência. Não existe mais o culto a inteligência, nem ao saber, cultura deixou de ser importante – agora é algo indesejado, marcado pela alcunhas diversas, o antigo ‘nerd’ – vive-se da fantasia de que os super ricos o são assim sem nenhum esforço, de mediocridade criativa e de pura fantasia, quase um tipo de delírio coletivo de superioridade inexistente.

O mundo precisa de nossa participação, não da aceitação. O futuro precisa de ações e decisões do presente e não ilusões. Este é o momento para pensar e questionar o que pretendemos, compreender oq eu aceitamos até agora e, corajosamente tomar o caminho para algo mais saudável, construtivo e mais dentro de uma realidade global e não apenas de grupos.

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