Wednesday, January 7, 2015

Eleonora




Eleonora é uma mulher, uma dentre milhares que existem por aí. Nunca a conheci pessoalmente, nossos primeiros contatos foram via Twitter e posteriormente pelo Facebook.

O pouco que sabia dela era que dedicara sua vida a cuidar dos pais. Que sentia imensa solidão e, se apaixonara por um homem mais novo. Nunca fomos muito profundas em nossas trocas de confidências. Por certas coincidências no campo amoroso, enviei a ela meu livro Asif, Perdão (gratuitamente) e continuamos nossas conversas sobre meus textos e o mundo.

Em determinado momento, uma amiga comum entrou na conversa. Rafaella, uma doce menina – apesar de não ser tão menina – com um jeito firme, claro e acima de tudo honesto. Assim como Eleonora, não conheço Rafaella pessoalmente. No entanto, a afinidade entre Rafaella e eu superou a amizade superficial e muitas vezes encenada das mídias sociais. Ela e eu, tínhamos e ainda temos, profunda sintonia e respeito uma pelo outra, mesmo com nossas diferenças – ela é extremamente religiosa, eu não – nos tornamos irmãs. Confidencias, medos, alegrias, presentes, compartilhamos muito nestes quase 5 anos de amizade.

Eleonora era amiga de Rafaella. No entanto, por alguma razão que desconheço, algo cresceu dentro dela. O ódio por mim foi como o canal que é aberto para se irrigar a terra, só que ao invés de gerar frutos saudáveis, o que foi gerado foi um tipo de ódio – a minha pessoa – incontrolável e inexplicável. Sua ânsia em me superar – não sei a razão dessa competição comigo – em algum ponto, a fez criar um site sobre assuntos diversos – o qual foi e é um grande sucesso, visto que fala daquilo que a maioria das pessoas apreciam: deus,  culinária e citações e versos – um tipo de auto-ajuda virtual. Eu mesma cheguei a Curtir a tal página.

Certo dia, Rafaella entra em contato comigo, dizendo que Eleonora havia bloqueado ela no Facebook e que numa conversa, havia entre outras coisas, falado que eu não era uma boa pessoa e estava usando Rafaella para meu proveito próprio – ainda me pergunto como – enfim, depois de falar o que pensava a meu respeito, exigiu que Rafaella escolhesse entre a amizade dela e a minha. Chegou a citar o fato de Rafaella curtir meu posts mais que os dela... Enfim, uma evidente demonstração de ciúme (nem ouso dizer que era inveja).

Apos ler o que Rafaella me contar, verifiquei que eu também havia sido bloqueada por Eleonora. Diante do fato sorri e cometei com Rafaella, que disse que Eleonora a ameaçava de cortarem a amizade definitivamente. O que de fato ocorreu.

Passado algum tempo, Eleonora retornou a conversar com Rafaella, pedindo desculpas e dizendo que seu comportamento havia sido imaturo. Elas continuaram o relacionamento, mas certamente o nível desse relacionamento sofreu abalo. Enquanto isso, Rafaella e eu continuamos amigas, irmãs.

Eleonora – que na época usava o nome de Nora – desapareceu de minha vista e Rafaella nunca mais falou dela. Esquecemos.

Recentemente reencontrei Eleonora em um post de um amigo comum, Ricardo postou uma notícia que eu julgava incompleta e apenas relatei o que presenciara na mídia do Reino Unido – atualmente moro em Londres . Para minha total surpresa, eis que a Eleonora resolve destilar seu ódio guardado sobre mim, comparando-me a Hitler e dizendo que não tenho ética. Achei curioso e pensei em não responder, mas acredito que, agressões verbais, podem ser respondidas com educação. Assim, o fiz. Foi o fim da discussão para mim.

No entanto, sempre me surpreendo com o ser humano e sua capacidade de transferir seu fracasso e sua infelicidade para outros. Fazem isso preferencialmente com quem não conhecem, calcando seus preconceitos e ódios em distorções da realidade. Eleonora não é a exceção neste mundo de juízes, que julgam e impões penas, mas quando são julgados clamam serem injustiçados, perseguidos. Eleonora é apenas o reflexo de uma sociedade que ainda engatinha para o crescimento, que precisa de muito mais cultura, muito mais autocrítica  e muito menos deus e desculpas para seus erros e fracassos.

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