Wednesday, December 31, 2014

Esta não é uma mensagem de Fim de Ano

Star cluster NGC 3572 and its surroundings (1)


Nunca acreditei no tempo, não como ele é imposto à nossa vida. Sempre o vi como algo relativo, uma concepção necessária ao controle de nossa atividades, não um limitador de nossas habilidades. Talvez seja isso que me transforme em um tipo de ser atemporal, com gostos diversificados, com poucas expectativas sobre pessoas e amanhãs. Sou assim, goste ou não.

Tenho um tipo de consciência particular sobre a vida, não a vida humana, mas a vida eterna que temos contida em nossos elementos básicos. Não espere de mim canções sobre deuses, pecado, redenção ou eternidade. Melhor, espere de mim a eternidade existente na essência.

Esta não é uma mensagem de final, nem de começo, sequer de recomeço. Depois de tantos desvios, voltas procurando uma nova estrada, compreendi que nunca recomeçamos, apenas modificamos alguns pequenos detalhes e continuamos. Tolice essa coisa de fênix, ou de renascimento, existe apenas o crescimento – lento ou rápido – de um ser eternamente em movimento para frente. Sim, não há volta. Mesmo que pudéssemos voltar, mesmo assim, talvez nosso ‘eu’ no passado continue a cometer as mesmas ações, colhendo os mesmos resultados. Somos alguém lá, que não somos aqui. Pode ser que tenhamos alternativas, outras dimensões onde testamos opções, no entanto, aqui, neste consciente do agora, é isso que somos.

Apesar de compreender que o fogo necessita de espaço para queimar, de uma brisa para expelir seu brilho, ainda sabendo disso milhões de vezes, só agora consigo compreender. Uma compreensão que dependeu de todas as escolhas, acasos e imposições que aceitei ou fiz.

Esse meio termo entre ser e ter que ser não me é mais aceitável. Não acredito que só compreendemos o que temos depois que ele se vai. Minha mente diz que o movimento de ir e vir é caótico, incontrolável, especialmente quando há o envolvimento de outro.

Engana-se, eu nunca me enganei – certamente tentaram fazer com que eu acreditasse em vão – de que é possível manter-se a salvo, protegido, e que o caminhar nos torna mais fortes. Isso é errado. As fórmulas são inexistentes, não persiste nenhum ser humano em sua vida que possa lhe dar a onisciência do que você tem, isso é uma busca solitária, até que você finalmente compreenda – veja a luz, como se diz por aí – ou não.

Por isso, não acredito em mudanças de ano – essenciais para as transações comerciais – nem em renovação de votos – essenciais para quem acredita que a felicidade foi alcançada – nem na eternidade da amizade – cada vez mais encravada em enganosas afinidades que são mais conveniências que sentimentos libertos. Não, sou uma incrédula a respeito de todas as pregações, todos os chavões de bem estar, de tudo que é regrado e imposto.

Cada célula de meu corpo foi unida num acaso, cada cicatriz e traço de felicidade foram amontoados dentro de mim por atitudes - ou falta delas – minhas, não de alguém responsável por mim. Tenho a impressão que, mesmo agora, ainda perco um pouco o fluxo de quem sou, para percorrer caminhos impostos – certamente em breves momentos – como se ceder a essas imposições fornecesse a esta mulher a oportunidade da experimentação – do outro especialmente. Experimentar para mim é essencial, para outros é loucura. Por isso não sou nenhum mestre, nenhum ser a ser seguido, os caminhos que percorro estão fechados a outros, são únicos e meus. Não se engane com as palavras, nem com as aparências, muito menos com a imagens. O que eu sou foi articulado por energia, por interações microscópicas de corpúsculos que sequer temos a noção onde realmente se encontram. Eu existo. Aqui e agora, essa é essência, essa é a questão e a aceitação, junto com a ideia de que, a solidão é fato, não pena e que esse medo que temos dela data de nossa necessidade primordial de preservação – cada vez menos essencial nos dias de tecnologia – abraçar com gosto e prazer essa solidão só faz você mais livre, mais ciente de quem é e mais aberto a receber estranhos em sua vida.

A aceitação da solidão, de nossa unicidade – somos únicos, podem dizer o que quiser, somos únicos em nossas diferenças – faz com que o único sentimento que importa, o único que nos leva ao aproveitamento máximo de tudo que o caos dos universos nos forneceu, floresça e seja nossa melhor companhia sempre, para sempre, em formas diversas, em sonhos ou expressões de realidade.

The Wide Field Imager on the MPG/ESO 2.2-metre telescope at ESO’s La Silla Observatory in Chile has captured the best image so far of the star cluster NGC 3572, a gathering of young stars, and its spectacular surroundings. This new image shows how the clouds of gas and dust around the cluster have been sculpted into whimsical bubbles, arcs and the odd features known as elephant trunks by the stellar winds flowing from the bright stars. The brightest of these cluster stars are heavier than the Sun and will end their short lives as supernova explosions.

No comments:

Post a Comment