Thursday, November 20, 2014

Liberdade




Gosto de observar tudo ao meu redor, sempre que possível, estendo esse ‘redor’ ao máximo raio, talvez exista uma intima ligação entre partes do que escolhi estudar – engenharia, história, arqueologia e literatura – com o que me tornei e como olho o mundo, por conseguinte as pessoas.

Nada mais perigoso que unir a mente de um escritor de ficção com a de um engenheiro. Exatamente o que sou, uma escritora com mente de engenheira, na verdade, gosto de pensar e sentir, que caminho alem dos estereótipos dos dois seres. Não sou etérea nem simplesmente romântica como esperam de uma escritora de ficção – poucos notam que existem mulheres escrevendo sobre os mais variados temas, nas mais variadas formas – ou a frieza racional da ciência (engenharia)– não há nada de frio nas ciências, creia me – que muitos acreditam ser o comportamento correto para um profissional amplamente mergulhado na compreensão de números e física – desperte! Física é natureza, e natureza é física, ou melhor, natureza é ciência. Na verdade, sou extremamente analítica, extremamente apaixonada, completamente mergulhada em experimentos comigo mesma, além de observadora distante de outras pessoas. Sou solitária e rodeada de companhia, sou o que sou e sinceramente, não espero que me compreendam, apenas aceitem ou rejeitem.

Essa discussão que estou traduzindo no ‘papel’ ocorre por inúmeras razões, a mais importante delas é que, muitos me classificam de feminista, levando a acrescentar a este adjetivo, o feminista, outro, ‘ferrenha’, etiquetam baseados na ponta da montanha que conseguem vislumbra por entre a névoa. Talvez seja esse o grande mal da humanidade, a verdadeira guerra que deve ser travada, essa cegueira natural que aceitamos.

Sim, sou feminista, não nego o adjetivo, assim, como sou humanista, pois acredito firmemente na igualdade de oportunidades e direito perante a lei de todos os gêneros. Sou uma fervorosa crente de que a opção sexual concerne apenas ao individuo, e que tudo que é concebido como escolha pessoal não interferindo com o outro, não precisa ser regulamentado pelo Estado. Sou uma crente e praticante da liberdade de escolhas, e que se existirem consequências, que elas sejam iguais a todos – não privilegiando um sexo, uma classe social – vejo o mundo assim – mesmo sabendo que ele não é – e desta forma crio meus mundos imaginários, compilando as indecências e decadências da realidade, suprindo a elas a força, não do idealismo, mas da justiça.

No entanto, não sou apenas feminista, humanista, escritora, engenheira e outras milhares de ‘coisas’ que sou. Tem também o que não sou, ou não deveria ser. Tem a insegurança, o perfeccionismo, um toque de conservadorismo em minhas posições  políticas – estou a espera de um perfil de político: culto, eloquente, competente, justo, honesto, eficiente e que compreenda a importância do tripé – saúde, educação e segurança. Não espero a perfeição da igualdade imposta, o única forma dela seria colocar todos na ignorância e no ato simples de sobreviver – sem esperança, sem ambições, sem a possibilidade de um próximo passo.

Não costumo antagonizar com aqueles que bradam por igualdade, muito menos com aqueles que desejam que os tais ‘burgueses’ pereçam, pois acho curioso como todos que exigem o fim destes, na verdade esperam apenas tomar seus lugares. Como se por decreto do desejo, os bens de uns fossem, transferidos para outros.

Não vejo nada demais em sermos nós mesmos. Acredito que objetos podem trazer prazer, desde que sejam adquiridos por você, não para aparentar um tipo de posição social. Coisas são apenas isso, coisas, cultura é muito mais importante e quem, dentro de suas paredes mergulha nela, é muito mais rico do que possa sequer imaginar – oportunidades de adquirir cultura não são raras, mas são vistas de forma maculada pela maioria.

Acredito em buscar seu próprio caminho, em pôr do sol solitário, em aprender e ensinar, na morte como fim, na natureza do acaso e do caos, na inexistência de deuses, na capacidade de superação humana, no sexo como algo inerente a nossa vida, no amor como sentimento pessoal, no trabalho como forma de expressão, na arte como porta para a experimentação e na ciência como a mais humana das expressões.

Acredito que ainda vou chegar onde planejei, que ser solitária não é o mesmo  que ser sozinha, que família nem sempre é um porto seguro, que mãe não é sinônimo de amor e perfeição, que buscar respostas é o que importa, que amigos não são irmão – algumas vezes são melhores – que quem diz que te ama nem sempre sente isso, que ser abandonada é regra na vida dos forte, que encontrar pessoas com interesses diferentes do seu é construtivo e, acima de tudo, não julgar – perda de tempo e energia, isso não modifica nada – e que o sol nasce para todos e apenas alguns sabem apreciar isso.

Eu acredito em liberdade, em respeito às leis, em honestidade. Não quero ninguém preso a mim por nenhuma obrigação, não quero fidelidade apenas sentimento, não espero ser o centro da vida de alguém, tenho convicção que meu filho precisa ser livre e não uma espécie de poupança para minha velhice e que, da mesma forma que nascemos sozinhos, sozinhos iremos morrer. Assim, eu vivo e deixo viver. Simples, curto e livre.

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