Wednesday, June 25, 2014

Prece aos Moribundos




Pessoas sem medo cruzam o caminho, intrépidas portadoras das respostas às perguntas que não fiz. Carregam agulhas agudas, que escapam na direção da mente em palavras duras, sem sentido algum. Nessa incoerência, pessoas são quebradas, colocadas em potes de vidro e expostas em sua dor ao mundo que consome, sem piedosa empatia esse desmembramento de um semelhante.

Vamos murchando, envelhecendo sem que o tempo passe. Um tipo de fruta madura antes mesmo da árvore florescer, ingratos e covardes membros de uma sociedade egocêntrica e fútil. Não acreditamos em céu, inferno é um tipo de faz de conta, onde pretendemos não querer ir, no qual vivemos cada instante de nossa vida. Onde se esconde, disfarça, nossa coragem de seguir em frente, de cruzar as pontes que nos levam a estar olho no olho com as lições aprendidas. Somos covardes.

Brincamos com fogo e esperamos não nos queimar. Escolhemos a solidão, apenas para continuarmos a ser vitimas da falta de amor próprio. Somos folhas que se recusam a soltar da árvore, mesmo que seu tronco esteja podre e ela não nos forneça energia vital. Somos acomodados.

Não, considerando tudo que sei, não sei o que se passa com você. Existe certamente um mistério em ser quem você é, tempo é a distancia entre nós. Um tempo inexistente, no entanto tão real. Somos solitários.

Inconsciência de nossos poderes. Completa ignorâncias das possibilidades abertas, não apenas em portas ou janelas, também nos pequenos buracos em paredes sólidas infligidos por nossas lágrimas escondias, suspiros guardados.  Certamente se abríssemos os olhos veríamos a luz no fim do túnel. O que vemos, em contradição, apenas escuridão. Somos cegos.

Em palavras simples, quase vulgares, descrevo essa inocência senil, estrada curvilínea de certezas estreitas e sabedoria rasa. Não sei como escolhemos ser assim. Séculos, milênios de total entrega a fantasias, despeito pelas provas que contradizem a crença, somos a fé reverente de outros. Somos conjugados erroneamente, sem a necessária energia para corrigir o erro. Somos omissos.

As palavras aqui, são uma tipo de prece, prece aos moribundos, ingratos e insípidos seres que deixam nada, apenas a destruição, o preconceito e o medo. Os vejo e revejo todos os dias no caminho que percorro, são  salteadores na estrada, extorquindo o resto de vida que resta. São de todos os tipos, sendo um tipo único, seres humanos sem perspectiva e com uma certeza insana que terão outra oportunidade. Esta é minha prece a eles, aos moribundos.

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