Friday, April 12, 2013

Sonho e Realidade

Imagem: wallpapers-diq.com/


Era noite, uma noite mais que apropriada para voar, pena que ela não podia... Talvez um dia no futuro, quando não fosse mais necessária ali... Quem sabe? Ela pensava e observava, enquanto seus lábios se curvavam, uma meia lua...

O vento era tão suave... Ele lembrava a ela o toque delicado dos lençóis de seda, brancos, brancos tal qual as flores que agora se abriam a seus pés. Flores da Lua. Ele, o vento, embalava seus cabelos, mexia com seus membros, ela queria dançar. Rodopiar como um redemoinho, balançar tal qual havia feito no deque do navio. Ela queria soltar-se, pular e flutuar... Ela poderia, sim, ela poderia, mas não faria...

Os olhos tomaram a direção do céu, ela o apreciava, fosse como agora, preenchido de luz, ou então em completa escuridão quando a Lua rumava para seu descanso com o objetivo de renovar sua beleza. Ela amava o céu noturno, muito mais do que aquele que o antecedia. Era sob naquele cobertor de um azul quase negro que ela  sentia o toque dele, da mente, do sentir. Parada agora como estava, ela podia sentir toda a dor, o medo, a tristeza e o conformismo, não sentia entretanto nenhum tipo de piedade por ele. Apenas uma suave melancolia.

Muitos pensavam que ela era uma mulher fraca. Não, fraca não, nunca se sentira fraca, apenas lutava com cautela e seus objetivos prevaleciam sobre tudo. Ela escolhia a estrada, os desvios e se permitia até mesmo jogar com a vida, no entanto, ela sabia o que fazia, todas as emoções vividas, todas as felicidades e dores, todas elas foram e são combustíveis essenciais ao seu trabalho. Um trabalho pelo qual é perdidamente apaixonada, algo que lhe toma por completo. Absorvendo suas energias em ondas de puro prazer.

Ela usava bem seu disfarce, muito bem, tinha a certeza que alguns acreditavam que ela se perdera. Outros que seria fácil enganá-la. Outros ainda que manipular aquele ser humano, que ela era, seria tão fácil quanto beber um copo de água. Eles tentavam e descobriam que não era bem assim.

Ela olhava agora para o mar, mesmo na ausência de Hélios, ela podia distinguir as ondas e sua coroa branca, ouvia o canto, de sereias, dos mortos. Ela lembrava do passado, não o de agora, o passado de antes, muito antes desse tempo. Lembrava da guerra, das lanças e espadas cortando a carne jovem, valente, sem esperança. Lembrava de sua luta, feroz, pela vida que ainda tinha. Naquele tempo não compreendia muito bem, ela era jovem, impetuosa e nunca avaliava as conseqüências. Não mais.

O vestido negro balançou com o vento, que a visse agora imaginaria uma enorme ave pronta a levantar vôo. Ela estava apenas esperando.

A hora chegou, ela entrou no quarto, que ficava alguns passos de onde, há pouco, apreciara seu lar. Deitou na cama, relaxando cada músculo, procurando fazer com que a respiração acalmasse seu coração, quase parando-o. E ela seguiu, através da noite, pelas distancia que sabia não existia ali, ela seguiu até o quarto onde ele estava, deitou suavemente na cama dele. Ele dormia, ela aspirou o perfume, tocou o rosto com os lábios, encostou o corpo no dele e abraçados dormiram... Ele sonhando com ela, ela estando com ele....

1 comment:

  1. Lindo!!! Adoro essa junção que você faz, na qual não é possível saber o que é sonho e o que é realidade.

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