Tuesday, November 13, 2012

Kerten




Ele caminha sempre de forma segura, sua postura é impecável, quem o vê não imagina o que está por debaixo da camisa impecavelmente passada, da gravata elegante e do sorriso discreto. Um homem com responsabilidades, certezas e acima de tudo, previsível. É isso o que ele deixa transparecer em sua aparência e comportamento.

No entanto, quando ele abre a porta de quem realmente é, livre da gravata, do trabalho, de toda responsabilidade, revela um menino cheio de vida, repleto de sonhos, alguém que tem um pacto com a poesia e a liberdade. Ele e seu sorriso, ainda discreto, o olhar observador e as pequenas covinhas que deixam tudo mais deliciosamente tentador para quem observa.

Quando o Sol começa a se pôr, naquele momento de laranjas e vermelhos, o olhar dele se perde no horizonte de sua cidade. Ele ama o pôr do sol, aliás, ele ama aquilo que a natureza lhe oferece. Ele senta na beira do estreito e simplesmente observa. O silêncio é seu companheiro, talvez uma imagem chame sua atenção. Então, ligeiro e absolutamente alheio ao resto, ele clica e apreende aquele instante, faz poesia com pixels, olhar e sentimento.

Não, ele não tem medos, dúvidas, na verdade uma aqui e outra ali sempre aparecem, mas ele lida com elas, como tudo na vida: meticulosamente, discretamente, intensamente. Um homem de contradições aparentes, mas tão coerente nele mesmo.

Em dias de intenso sufoco, onde o ar falta e o sentimento é de prisão, ele sai à procura da tal liberdade. Monta em sua motocicleta, coloca o capacete branco, e vai para onde o senso de ser livre se faz mais presente. Ele voa, caminha, se esconde, não importa, ele está com ele, numa comunhão de paz.

Será que ele pode amar alguém? Será que ele pode pertencer? Não, pertencer não, mas amar, certamente. Amar sem limites, sem justificativas, sem razões aparentes. Amar alguém que seja como ele, livre, amar e amar apenas pelo ato, sem o compromisso da razão.

Lá vai ele de novo, em seu caminho, não carrega nada nem ninguém. É apenas ele.  Quando retorna para casa a sensação é de total paz. Paz por estar só, por ser quem é, por ter decidido deixar as coisas acontecerem e não se importar com a opinião de ninguém, apenas a sua.

Ele ainda é um mistério para muitos, essa mistura de menino e homem, certeza e liberdade, é cativante. As dúvidas que tem são as de todo mundo, as resposta que consegue é que são diferentes. Isso o faz especial, esse jeito de não ser convencional, mesmo aparentando ser. Essa seriedade livre do sentir que tem. Um homem único sob muitos aspectos, um homem de verdade como alguns o definem. Um homem.

Revisão de texto: Simone Gomes

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