Thursday, July 12, 2012

Não tenho lar



Não tenho lar, nenhum lugar me abriga.
Nada me traz a impossível sensação
De pertencer, ser parte.
Indubitavelmente solta
Folha que escapou da árvore
Pétala deixada da flor.
Um grão de algo, pequeno
Morno abrigo de algo menor
Ou maior, quem sabe?
Não tenho lar, não consigo me prender.
Nem ao passado, nem a ele, nem a torre do relógio.
Tempo infinito, assim sinto, não passa,
Corrói e destoa do outro tempo que conheci.
Onde estou? Pergunto em estupefação,
Comigo e com tudo.
Como pude deixar de ser?
Não, não tenho lar.
Meu lar ficou nas planícies, no meio dos rios.
O abrigo protegido, anda iluminando outros
Protegendo, criando fantasias e prazeres.
Meu lar se perdeu, no ontem, no número
do preconceito e medo.
Meu lar, que era em você, deixou de existir.
Fiquei assim, sem lar, sem amor e sem fim.

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