Thursday, December 15, 2011

Qual a cor do céu hoje?



Qual a cor do céu hoje? Não sei, meu céu é sempre de um azul turquesa inexplicável. Por mais que digam que essa cor é apenas por causa da atmosfera que envolve a Terra, acredito sinceramente que ele é azul por que gosto dessa cor. E o vejo assim, esteja o céu encoberto por nuvens cinzas, como o chumbo derretido que escorre ou branco como uma caixa de algodão.

O céu que conheço está em mim. No modo como olho para a vida, para o mundo. Ao acordar pela manhã sou eu que decido como ele será. Se verei o sol, ouvirei pássaros cantar ou se a chuva cairá para que possa dançar nas poças, como criança sapeca que sempre fui.

A vida que me deram, um presente reconheço, não foi em seu formato dos piores. Existe muita dor no mundo, guerras, doenças, medos que assolam milhões de pessoas. Faltas de uma humanidade que sequer conseguem reconhecer em si mesmas. Não sofri disso. Família, amigos, sempre me vi no meio de pessoas, o único inconveniente é que elas não me compreendiam.

Resolvi deixar de lado essa incompreensão e ver sempre o mesmo céu, azul turquesa, independente da dor que sentia, do medo e da solidão. Alias, solidão foi algo que aprendi cedo a apreciar e ainda aprecio em profusão. Longos e saudáveis silêncios comigo mesma, onde desnudo meu ser para tentar compreender atitudes que tenho, anseios que sinto e sonhos que procuro realizar.

E esse meu céu azul, sempre foi o porto seguro. Lugar que me refugio em dias de tempestade, canto onde comemoro todas as vitórias sobre mim mesma, pois não existe maior inimigo que nós mesmos. Neste lugar, procuro relevar a ignorância do outro, tentando entender que ser humano é ser falho, mas Ser Humano é aceitar isso, criticar a si mesmo e melhorar a cada tropeço.

Aprendi no meu cantinho azul turquesa, que arrogância é apenas disfarce para fraqueza. Que coragem é a resposta ao medo e os sonhos não são bobeiras se você acreditar e agir para realizá-los.

Mesmo agora, quando este mundo onde vivo parece perdido em sua procura louca pelo poder. Em que pessoas planejam formas diferentes de matar outras pessoas. Onde o preconceito é fomentado pelos meios que deveriam esclarecer e a religião tornou-se desculpa para atrocidades. Ainda assim, guardava em mim, no meu ventre e na alma a esperança de poder provar que os homens estão errados. Que amor existe, que o preconceito e as diferenças de nada valem, e que nada supera nossa humanidade.

Até ontem era assim. Hoje, hoje meu céu mudou de cor. Está negro como se de repente tivesse anoitecido e não vejo como possa retornar a ser daquele azul turquesa, como as pedras ou o mar. Estou sozinha agora, numa espécie de solidão indesejada. Sozinha e vazia. Tenho a impressão que o coração parou e a vida entrou em estado de suspensão. Eu que acreditava em tudo, deixei de acreditar no mais importante: em mim.

Não me vejo mais como ser humano, nem como alguém que merece a felicidade daquele céu azul turquesa. Me vejo desfigurada pela dor que o negro impõe e por mais que diga a mim mesma que tudo passa, que a vida encontra um buraquinho e se renova, desta vez a perda foi maior que o suportável.

Olho para o dentro de mim, procuro o coração que um dia tive, nada, o lugar está vazio e sem dor, a mulher que existia não existe mais. Nem o sorriso é o mesmo, a luz do olhar se apagou e o mundo perdeu totalmente a razão. Deixei de ter sentido até para mim.




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