Friday, November 18, 2011

Irmãos



- Nosso relacionamento acabou. Teve seu tempo, agora acabou. Isso é natural.

Essa foi a frase que Cida ouviu aquela noite, enquanto preparava o jantar para Sergio. A surpresa não poderia ser maior. No entanto, as palavras que a feriam continuavam.

- Entenda, não é necessariamente o fim, devemos decidir isso juntos. Caso você ache que não é o fim, posso me esforçar para continuar. Entenda preciso de liberdade, fazer o que quero e quando quero, sem a preocupação se você vai me ligar.

Cida olhava para ele com ar magoado e surpreso. Seu pensamento voava para o últmo SMS que Sergio havia enviado: “Estou com saudade. Amo você”. Isso dois dias antes. Ela questionou.

- Entenda Cida, não queria escrever aquilo. Depois que escrevi pensei que o fiz sem sentir. Esqueça.

Essa era a última. Se não queria escrever por que o fez? Se não sente, por que ficou tanto tempo? Quem poderia entender?

Cida e Sergio trabalhavam na mesma empresa. Sentavam a menos de 1 m de distância um do outro. Conheceram-se assim. De repente o relacionamento, bastante improvável começou. Por que improvável? Bem, Cida é uma mulher madura, de 37 anos, nível superior e fazendo MBA, boas condições financeiras, família amorosa, divorciada e um filho de 9 anos. Sergio é um rapaz sem formação superior, jovem, 25 anos, sem grandes condições financeiras, pois boa parte do que ganha serve para ajudar os pais com seus probelmas econômicos. Mora em um apartamento velho, em um prédio decrépito num bairro afastado do centro.

Cida e ele tinham algo em comum: o amor pela pátria, o time de futebol e a vida. Haviam se olhado, gostado e começado o relacionamento. Pouco a pouco, o modo carinhosamente frio de Sergio foram conquistando-a. Pouco a pouco passaram a ficar juntos mais tempo. Fazer coisas de casal. Ela foi apresentada ao irmão e a namarada deste, aos amigos. Enfim, começara a fazer parte da vida dele.

Sergio era frio. Sim, sua frieza sempre ficava envidente nos comentários que fazia. Sua frase favortia era: “Gosto de você. Não amo, mas gosto de estar com você” Isso era um soco no estômago toda vez que era dito, mas Cida via algo no fundo do olhar, no jeito carinhoso que segurava sua mão enquanto passeavam, assistiam a um jogo ou dormiam, no medo que ouvia na voz quando ele acordava e ela não estava a seu lado.

Enfim, talvez Cida se iludisse, mas acreditava que aquele relacionamento tinha futuro. Não planejava nenhum, acreditava que poderia durar mais do que ele mesmo pensava.

Em agosto, conheceu a namorada o irmão. Ficou surpresa. Flavio, irmão mais velho de Sergio, tinha uma namorada madura, de 49 anos, rica, bem sucedida, mulher decidida e envolvente. Com ampla formação universitária, Helena, conhecia o mundo e a vida. Cida mostrou-se curiosa sobre ela, acima de tudo ficou surpresa ao perceber o amor no olhar de ambos: Sergio e Helena.

Flavio e Helena se conheceram ao acaso, perto da praia onde Helena costumava ir a passeio. Olharam um para o oturo, gostaram do que viram e se envolveram. Helena, apesar de toda praticidade e formação, era do tipo romantico. Apaixonou-se por Flavio, mesmo sabendo que ele tinha 26 anos e a distancia enter eles era enorme.

Flavio e Helena combinavam perfeitamente. Ele dizia que nunca  a amaria, gostava e de ficar com ela.  Você me dá força, coragem. A seu lado sou mais centrado.” Era o que dizia Flavio. Helena sorria, sabia que aquilo era verdade, Flavio não poderia amar alguém como ela. Apesar de seus 26 anos, ele era totalmente a favor da submissão da mulher, e ela seria tudo, menos submissa.

No entanto, a convivência cresceu. Tornaram-se cada vez mais próximos. Helena passou a fazer parte da vida de Flavio. Desde aconselhá-lo com os problemas economicos, até ser a única pessoa que cuidava  dele e o admirava. Ele achava engraçado que uma mulher como ela, bonita, de conversa ampla e acima de tudo rica, se interessasse por alguém como ele.

Ela, também tinha suas dúvidas. Acreditava que o dinheiro era o maior atrativo, mas isso não importava. Ela o amava, infinitamente, assim enquanto ele quisesse ela ficaria.

Alugou um apratamento para que pudessem morar juntos. Foi em um  jantar na casa de Helena e Flavio, que Cida e Helena se conheceram. Houve empatia. Conversaram muito, principalmente sobre os irmãos.  Eles tinham tanto em comum.

Cida ligou para Helena, asism que Sergio deixou seu apartamento. As lagrimas escorriam, mas precisava falar com alguém que fosse capaz de compreender.

- Não acredito. Sergio também!

Apesar de tentar aparentar surpesa, Helena não estava. Esperava essa decisão de Sergio. Os dois irmão faziam tudo juntos, como siameses. Flavio a abandonara há dois meses, nada mais esperado que Sergio fizesse o mesmo com Cida.

No entanto havia uma diferença tácita entre Sergio e Flavio. Flavio admitira abertamente a Helena que a amava, que ela tinha sido a melhor coisa em sua vida, provavelemtne nunca viveria um amor como o que tivera por ela.  Só que ele não coneguiria conviver com a diferença de idade, o dinheiro dela e o filho de outro homem. Enfim, ele não a queria, embora a amasse.

Ambos os irmão, pediram para continuar amigos de suas ex-amantes. Ambos desejavam sair com elas, mante-las em sua vida.

Helena decidira aceitar, mas Cida nào conseguiria.

No entanto, Helena acabou envolvida em discussõess e mais discussões com Flavio, até que de maneira bem ofensiva o relacionamento, inclusive de amizade terminou. Nenhuma comunicação entre eles. Inclusive, Flavio fazia questão de postar em seu FB inúmeras fotos dele com outras mulheres. Helena via, curtia e sorria. Sem problemas, o amor dela por ele continuava, e nem essa facilidade de esquece-la iria terminar com algo que ela gostava de sentir.

Cida escreve para Helena no FB, conversam no MSN. Enfim, ambas estão tristes, não cosneguem compreender esses irmãos que se envolvem, e depois simpelsmente fogem. Asusstados, com medo de um relacionamento mais profundo.

Irmãos.

Helena, com sua mente analítica, sempre achou que eles faziam isso para se aproveitar da estabilidade que uma mulher mais velha podia oferecer. Helena sempre acreditou que era usada, mas aceitou isso em troca de viver algo único, o amor em sua plenitude, seu amor. Helena pouco a pouco percebeu que Flavio a amava também, ficou tão surpresa que baixou a guarda, deixou se envolver em um sonho, fizeram planos juntos de construirem uma casa, montarem uma empresa, viverem juntos. Na mente dela, por algum tempo, na dele, ninguém sabe.

Mas tudo terminou. Sergio nunca fez planos com Cida. Nunca escreveu poesia para ela, música. Nunca chorou com ela abraçado. Nunca disse que não saberia viver sem ela. Sergio nunca deixou claro se amava Cida. Flavio deixou totalmente claro, inclusive para outros, que amava Helena.

Dois irmãos, duas vidas marcadas pela indiferença dos pais, pela completa incapacidade de aceitar e conviver com o amor. Dois homens que fogem da felicidade, da dor, da vida. Escondendo-se na bebida, fumo e drogas. Dois homens belos, mas que no tempo irão perder essa beleza, acabarão tendo a via morna, sem emoções, que todos que fogem tem. Do bar para casa, da casa para o tralbalho. Homens que teriam um futuro brilhante se acreditassem nas possibilidades que eram oferecidas. Homens que se perderam e destruíram a ponte de seu futuro.

Homens. Irmãos.

2 comments:

  1. Embora seja uma história de amor, adorei a visão analítica da situação narrada. E a parte "Helena (...) aceitou isso em troca de viver algo único, o amor em sua plenitude, seu amor." ficou muito legal... Gosto disso.

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  2. Sempre um conto de emoção e sensibilidade.

    Adoro ler você e curti muito o novo layout do blog!

    Beijos, querida!!

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