Tuesday, October 11, 2011

Sem valor



Coloquei a vida em suas mãos. Ainda quando você era um desconhecido, apenas um homem estranho, com olhos estranhos. Eu coloquei minha vida em suas mãos.

Fiquei com você, mesmo que minha razão dissesse que não devia, mesmo que o medo fosse maior que queria admitir. Ainda assim, fiquei com você. Fizemos tantas coisas juntos naqueles quatro dias, mas o mais importante foi que entreguei meu sentimento e corpo a você, sem restrições, perguntas, sem nada pedir em troca.

E quando a saudade cresceu. Fui eu novamente, que procurei ir até você. Fiz de tudo, entregando minha vida em suas mãos. Essa entrega ocorreu de muitas formas: pelo sentimento, corpo, pelos bens. Dei tudo a você sem medo, sem questionar, mesmo sabendo que você não me amava, ou pelo menos dizia que não.

Pouco a pouco você foi tomando mais, chegou a um ponto em que eu não sabia como viver sem você. E na distancia, o desejo de estar com você me fez superar a morte, doença e desespero.

Novamente voltei para perto de você. E juntos andamos por caminhos novos. Aprendendo, ensinando, e eu me entregando mais e mais a você.

De repente. Depois de mais de um ano juntos, seis meses de convivência constante. Logo que sai de perto de você para preparar a volta definitiva. Você me diz: acabou.

Eu não entendi. Pelo menos não até agora. Entendo enfim. Me julga capaz de traí-lo a qualquer momento. Me despreza por crer que sou capaz de me entregar a outros, mesmo quando digo que amo você. Me culpa pelo que fizeram comigo. Como uma mulher pode ser culpada de ser estuprada, usada, quase morta?

Se tenho culpa, é de amar você demais. Se tenho culpa foi de querer que você mostrasse que me ama também. Se tenho culpa, é de querer palavras de carinho e desejo, e criar um jogo estúpido para conseguí-las.

Tenho culpa de tentar por um fim a vida, porque você não estava mais nela. Enfim, entendi, você não me quer porque me querer significa ter que estar ao lado de alguém que outros querem. E você acredita que posso me dar a qualquer um, sem pensar, sem sentir, apenas pelo prazer.

Enfim, acabou. Enfim entendi que valho para você menos que a prostituta que  “pega” de vez em quando, só para saciar o desejo de sexo. Que tudo que vivemos, compartilhamos, de nada serviu. Que o jejum que fizemos juntos na esperança de obtermos o perdão de Deus, não foi capaz de fazer você me perdoar por apenas querer ouvir dizer que me amava e me queria só para você.

Assim eu agora desisto. Deixo você ai. Sei que logo se recuperará, como acaba de me dizer, mesmo a 2 cm de mim não me quer mais. Enquanto eu mesmo a  cinco mil quilometros de você ainda o desejo.

Conheço todos os seus defeito: a bebida, fumo,  drogas. Conheço seu desejo pelo sexo e outras mulheres. Sempre compreendi e julguei que isso era decisão sua, nunca cobrei nada apenas honestidade. Honestidade no sentimento.

Agora, nada restou, pois você não me respeita e eu perdi o respeito por você. Como um homem pode achar que a mulher que ele disse amar, vale tão pouco assim?

No comments:

Post a Comment