Sunday, October 9, 2011

Kamasutra


Saímos para uma  volta por Istiklal Caddesi. Andamos a deriva, observando as pessoas, sua mão na minha. Você como sempre, de cabeça baixa, diz que é para ver se acha algum dinheiro no chão. Eu sempre olhando para todos os lados e para o céu. Afinal, nossa lua estava lá.

Andamos e andamos. Sentamos em um bar numa rua transversal. Ai, sua tradicional Efes acompanhada de amendoins e pistache. Eu bebi a minha, sempre em silêncio. É difícil conversar ali e, conhecendo um pouco de você, sei que prefere beber quieto, com  um comentário aqui e outro ali.

Terminada a terceira cerveja, você diz: “vamos para casa” Amo quando diz isso. Me dá a sensação de que podemos viver assim para sempre: eu, você, nossa casa, nossos amigos. Seu trabalho, o meu. Nossas, suas e  minha viagens. Como seria divertido e especial compartilhar tudo isso.

Seguimos rua abaixo. VocÊ segurando firme em minha mão. Eu falando e falando. Das pessoas, de nossos amigos, das viagens que faríamos juntos . Enfim, como sempre eu falava e você ouvia.

Chegamos em casa. Você abre a porta. Pensei que seria como sempre. Você sentaria na frente da tv e pegaria seu computador. Eu iria para o banho e depois ligaria meu Mac.  Não foi assim esta noite.

Você fechou a porta e não me deixou prosseguir. Me enconstou na parede e seus lábios pareciam desejar tudo que eu poderia dar. Ansiosos, desejosos, mas aciacima de tudo usurpadores. Ele iam e vinham pelos meus lábios, rosto,  pescoço, por lugares que ficavam aquecidos e querendo mais.

Minha roupa não era um problema para você. A queria ali, como barreira, obstáculo que tinha que suplantar. Através dela seus dedos, podiam imaginar minha pele, sua mão pressionava poderosamente meus braços, empurrando-me contra aquela parede, que agora não era mais fria.

Você desceu, cobiu com beijos o caminho, removeu parte do que o impedia de me tocar, mas deixou o suficiente para manter o mistério, que de misterioso não tinha nada, você já possuíra meu corpo muitas e muitas vezes.

E agora o calor subia, quase que sufocando. Eu queria tocar você, mas suas mãos me impediam. “Sente” Você murmura. “Apenas sinta” E eu fechava os olhos e sentia. Você me vira e revira, explora, atiça, beija e olha. Quando olha em meus olhos, antes de beijar com fome e força, meu coração que estava disparado para.

Seus olhos cor de mel invadem minha mente, a alma. E agora não apenas o corpo você possui, mas toda eu.

E dali, você me pega no colo e leva para o quarto. Com um sorriso nos lábios e um comentário “você gosta da cama.” Sim, amo a maciez dos lençóis de puro algodão em contraste com a aspereza de suas mãos. Amo a brancura deles misturadas com sua pele cor de crème e seu scabelos pretos.

E na cama a exploração recomeça. Você beija cada parte desnuda,  o que ainda se escondia e me leva a gritar seu nome, não sei se com a voz ou com meu corpo. Depois de todas as provocações, todas as marés, indo e vindo que provocou, me invade, como rio que é, desaguando, inundando a mim com sua vida. Agora eu que  sentira tudo, sinto de novo e, sem pudor grito seu nome enquanto você grita o meu. E juntos, unidos naquele prazer, naquele sentir, ficamos abraçados, cansados e pensando: “como se pode amar assim?"

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