Monday, September 12, 2011

Do nada para o infinito


Brincar com as palavras, como isso é divertido, principalmente quando não sabemos onde elas nos levarão. Estou aqui, sentada na mesa do meu studio escrevendo, sonhando e pensando num futuro que desejo e não sei se poderei ter.

É sempre assim. Quando começo a equilibrar as palavras na teclas do Mac sinto a força crescer, tornando possível qualquer coisa. Sim, minhas palavras tornam tudo viável, nada é intransponível, o mundo é recriado a partir delas.

Hoje quero criar felicidade. Sim, a felicidade é algo que nos pertence. Nascemos com ela e acabamos por esquecer entre tumultos, turbulências e dor. O desejo por felicidade nos persegue, como o vento corre atrás da folha de outono que cai da árvore, ou a luz que infiltra nas frestas onde a escuridão se esconde. No entanto, nos refugiamos do vento, sem compreender sua tentativa de brincar e fugimos da luz, preferindo o escuro, o nada.

Como posso criar felicidade? Com palavras? Com sonhos? Qual seria a forma que transformaria a seca e incolor realidade da infelicidade em seu antônimo? Como posso deixar que a fluidez do que digo preencha e assole a alma daqueles que lêem o que escrevo?

Amor. Amor é o alquimista que transforma. Amor é  sentimento que energiza. Amor é a felicidade suprema. O amor atinge a todos, inclusive aqueles que evitam o amor – até mesmo aqueles que usam a palavra “romântico” como sinal de desaprovação*. E é o que sei falar melhor, sentir melhor e dar melhor. Amor.

Amor para mim é algo sem fim. Não tem começo, pois transcende ao tempo. Da mesma forma que não tem fim. Se acabou, não era amor. Amor é incomensurável, inexplicável, injustificável. Simples assim.

Amor é calor em dias sombrios e frios. Esperança, quando tudo parece ser dor sem fim. Cores num dia cinzento. Abraço apertado nas manhãs sonolentas. Beijo na boca sem aviso. Supresa e certeza. Amor é tudo que nosso coração precisa para junto com nossa mente libertar a felicidade.

Amor se dividi em mil pedaços e se multiplica em milhões. Amor é doce e veneno, respiração acelerada e pausa no coração. Amor é aquilo que me move, atormenta, faz vibrar a cada dia e toma de solidão a cada noite. Amor é algo que não sei descrever, só sei sentir.

Amor pelos amigos que com seu gosto, cheiro, palavras e sorriso, lágrimas e dores, me conduzem a um caminho mais perfeito. Amor pela família, que vem com jeito preencher lacunas, explicar o inexplicável, estar presente sem estar. Amor por você. A quem amo sem restrições, de quem nada espero, senão o espaço para amar.

Amor, calor, felicidade, nada melhor para trazer a seca a enchente do rio. Nada melhor para transpor a ideia de fim, nada melhor para preencher a vida e nos levar a morte com a certeza de que nosso coração bateu, nossa pele sentiu e nossa mente transcendeu do nada para o infinito.


* Rumi

4 comments:

  1. "Felicidade", "fim", "seca" e "calor" foram os fios de linha usados pra alinhavar esse texto tão belo, que nos leva a refletir sobre os pilares fundamentais da existência humana: a vida e o amor.

    Essa sua forma única de "misturar" as palavras é que dá o efeito especial que tanto emociona quem lê...

    Este entrou pro rol dos M-e-l-h-o-r-e-s!!!!

    Rafaella Nolasco

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  2. Você tem um jeito todo especial para definir o Amor e a Felicidade.
    Poema com palavras tão doces e encantadoras só poderia ser escrito por essa pessoa maravilhosa.
    É lindo demais!
    beijos de saudades

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  3. Que lindo.... Pude sentir nuances de felicidade e leveza em suas linhas, querida Heleny!

    Perfeito, como sempre...

    Um beijo com admiração!

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  4. todo pasa, so o amor é eterno

    Fernando Escobar

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