Saturday, July 2, 2011

Angustia


Antes de tudo queria entender. Quem sou para você? Uma pedra no caminho? Um espinho? O que sou?

Toda vez que conversamos, dialogamos seriamente sobre passado ou presente, essa dúvida me atormenta. Da mesma forma que a tempestade castiga a costa no inverno ou o sol queima no verão. Fico seriamente abalada pela incompreensão de quem somos um para o outro. Amigos? Amantes? Sócios? Velhas almas que se encontraram, mas não conseguimos perceber?

Eu não sei realmente o que sou para você. E isso me angustia alguns dias. Angustia antiga, com dores e pesares, incompreensível e intolerável. No entanto tenho convivido com ela há algum tempo. Não sei mais o que pensar sobre isso. Nem se devo, de algum forma, simplesmente deixar de lado. O que sei, e somente isso realmente sei, é o que você é para mim.

Não, não sou tão jovem a ponto de me enganar, nem tão velha que o desespero da solidão tenha me invadido. Solidão nunca foi um medo para mim. Certeza, porto no qual ancorarei um dia, mas não medo. Desta forma o que sinto faz sentido, como você mesmo diz, total sentido para mim.

Como pode alguém amar assim? Me ensina, você pediu. Eu num sorriso sem jeito pensei, como ensinar o sentir. Amo você. Simples assim. Amo em total entrega, sem buscar explicações. Seria um, amo porque amo, ponto final.

Meu amor por vocênão nasceu e cresceu aos poucos, não amadureceu. Ele simplesmente estava ali, só faltava encontrar você para sair e se expressar. Amar você foi lógico, simples e claro. Sem qualquer tipo de raciocínio envolvido, foi puro sentimento. E agora estou aqui, presa e livre ao mesmo tempo. Presa a essse amor sem fim, liberta por ele.

E mesmo que meu lado humano, incredulo e sem fé se apodere de tempos em tempos. Questionando em minha alma o que você sente por mim. Inclusive nesse “estúpidos” momentos nos quais não sei a resposta, mas sei o que desejaria ouvir. Ainda assim, paro e lembro a importância do que sinto, a força desse senir e deixo tudo de lado só para continuar a amar você, amor que sei não terá fim.

6 comments:

  1. Para mim você é uma flor. Dessas que acontece na vida da gente e tudo fica mais bonito. Uma amizade que vale a pena, mesmo sem conhecer pessoalmente.
    Théo

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  2. Lindo texto, amiga!!! Principalmente o trecho que fala sobre o amor sempre ter existido e só precisasse encontrar a pessoa que desse sentido a ele. Sabe, o que acho mais gostoso no amor é justamente o não precisar de palavras para ser sentido. Claro que queremos ouvir... muitas vezes precisamos de palavras pra construir nossos conceitos do que o outro sente por a gente. Mas NADA se compara à percepção deste sentir. Seja por atitudes impensadas da pessoa, seus medos repentinos, gestos espontâneos, desejo desenfreado, enfim... Às vezes a alma compreende o que a cabeça reluta em compreender.

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  3. Escrito irreparável. Gostaria de frisar o parágrafo que desdenha do medo da solidão. Muito bonito. Eu também não sei o que é ter medo de ficar ou estar só. Meus parabéns. Beatriz, a personagem de ASIF, não tem medo da solidão nem das situações que se encontra. Procura se superar. Parece muito com esse texto. Um grande beijo.

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  4. Não há medo da solidão quando estamos na nossa boa companhia, crescemos e não é fácil aprender a amar estar com a gente mesmo, mas estarmos conosco com serenidade é imprescindível. O amor liberta, o estar preso é uma sensação "mental", do lado racional que aprendemos a "possuir"coisas e pessoas, mas você é TODA liberta, por isto AMA muito!
    Love u
    Obrigada pelo maravilhoso texto.
    Bjs
    Claudia Mitt

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  5. Minha doce Heleny,

    vc, como sempre, me emociona com suas palavras. Repito: vc tem uma capacidade ímpar de colocar emoção em tudo que escreve! Sou grata por compartilhar comigo seus escritos maravilhosos!

    Escreva sempre...mais e mais...

    Adoro você!!!

    Débi Angel

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