Friday, May 6, 2011

Recomeçar



Vamos brincar juntos? Você e eu sem censuras, medos ou pudores? Vamos brincar de ser feliz, de fantasiar e sonhar? Vamos brincar?

Então apague a luz, deixe a janela aberta, a brisa está agradável e o perfume da noite é inebriante. Excelente acompanhamento para o seu e meu. Vamos acender algumas velas. Daquelas que você me deu com perfume de flores e cores incríveis de nascer do sol.

Escolha a música. Não, me deixe escolher, hoje quero algo mais suave, bem diferente daquelas que você coloca para nós. Música de envolver e fazer sonhar. Música num idioma novo, especial, idioma que me embala todos os dias que faz parte de quem sou agora. Forte, dramático, misterioso.

Me deixe escolher algo especial para vestir. Algo que faça você sonhar com outros tempos, mares ou lugares.  Vou me enfeitar para você  e para mim, não me transformar, mas me pintar com as cores que ama.

O cenário arrumado, o traje apropriado e aí... Agora é conosco. Mas sabemos como prosseguir. Primeiro o olhar. Um misto de sorriso e desejo, algo entre a perfeição e o desconhecido.  Olhar que usamos sempre que queremos desejar. E tudo começa. O calor sobe pelo corpo, um frio desce pela pele e a confusão dos sentidos nos faz sorrir ainda mais.

Depois o beijo. Não qualquer um, mas aquele que me faz pensar que em algum momento entre um mergulhar e outro, vou sucumbir e escolher não mais respirar. Tudo porque prefiro me perder em seus lábios e nunca me afastar.

O beijos continuam, acompanhados pelas mãos. Elas, exploradoras e confusas, estão perdidas no caminho de meu corpo, em desafio de compreensão, em desejo de tomar para si toda aquela suavidade e provocar um novo sentir. Não são apenas a suas que invadem, as minhas também estão ali. A perseguir em seu corpo cada curva, cada músculo que sei que pertence a mim.

E provo de você.. Sua pele perfumada. Sua boca doce. Pulando do penhasco que é o desejo por você.

Você perde o controle. Me joga na cama e sem rodeios, afasta aquilo que lhe impede de sentir tudo, tudo que tenho.  Com seus lábios e mãos explora, invade e toma, a ponto de me deixar sem compreensão, perdido no seu provar de meu corpo, nem percebe que nossa alma se mesclou.

E agora me vira, a Lua e a Estrela acaricia, enquanto devagar me invade dizendo: "você é minha." Começamos novos movimentos, coordenados, esquecidos do tempo e do lugar. Imerso um no outro, no amor que temos e no nosso desejar.

Não sei o que digo, sequer compreendo o que fala. Apenas sinto naquele instante que o mundo tem novo sentido e a razão de eu existir é ter você em mim.

E a brincadeira continua. Com nossos corpos a flutuar, de um lugar para outro em prazeres desconhecidos. Sentindo mais e mais. Eu ondulo uma vez e outra mais,  nesse momento seu olhos sorriem, sua boca me beija e seu coração dispara como que a comemorar.

Falo sem pensar: “vem, deságua em mim.” E você me olha, como quem sabe que quer, quer tanto quanto eu deixar parte de você em mim. E quando tudo explode e seu corpo não cede, continua a pressionar, numa dança conhecida que você sempre dá para mim, antes de descansar.

E agora a calma invade, relaxa e faz sonhar. Deitada em seus braços, perto de seu coração. São suas mãos que me acariciam, seus lábios que beijam meus olhos. E ali ficamos deitados, esperando o corpo se acalmar. Para logo depois, tudo recomeçar.

5 comments:

  1. Simplesmente perfeito!!
    São poucos escritores que me fazem viajar e ler até o final...
    Tu és incrível Heleny!!

    Beijos!

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  2. É incrível o jeito que você tem de colocar o leitor "dentro" da história.
    Super...amei!

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  3. Uau! Foi (confesso!) teu primeiro texto q li.
    Parabéns!
    Estou estupefata pela forma fluida com q escreves... é como o deslizar de mãos.. simplesmente vais discorrendo, como elas deslizando...
    Simples assim...
    Adorei!
    Divulgando, obviamente.
    beijos mil

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  4. Nossa, até minha pressão subiu aqui, hehehe... Lindo e muito sensual.
    Parabéns, e obrigado!!! :D

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  5. Você fala sem o recurso da voz; escreve sem necessidade de palavras; toca sem o tato; despe-se sem estar vestida. Utiliza tão-somente a imagem, o som dos teus sussurros e o poder da hipnose, cooptando-nos no acompanhamento ritmado e sincronizado no teu ato de fazer amor. Belo!

    Robério Matos.

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