Thursday, April 28, 2011

Tempo do Amor


Tempo, Cronos o controla com dureza, nos dando com parcimonia e retirando com avidez. Tempo, que escraviza, deixando que esqueçamos o prazer de viver. Tempo, que às vezes se mostra barreira. Que não desejamos perseguir, mas somos quase obrigados, como escravos a aceitar suas migalhas.

Sempre pensamos no tempo. Até quando falamos de amor. Afrodite, até ela, se curva ao tempo. Não deveria ser assim. Amor tem tempo particular, diferente de tudo que se possa crer. Amor escolhe o momento, mesmo que acreditemos que a escolha é nossa.

Não é possível determinar quando chega, sequer quais caminhos nos levam a ele. Poder ser a linda alameda florida, pontilhada dos mais exóticos perfumes. O deserto seco, brilhante em suas manhãs, escuro e frio nas noites.

O encontro pode se dar hoje ou amanhà. Cedo ou tarde. Sem nenhuma explicação, justificativa ou tempo para entender.

Muitas vezes odiamos esse tempo. Como você mesmo disse, que me odeia por não o ter conhecido antes, muito antes.  Pensando que tive escolha, não busquei você em todo lugar que estive. Mas o tempo não era aquele e fui navegando pelo caminho solitário, sendo ferida e ferindo, tentando compreender e nunca conseguindo.

Até que o Amor disse que era hora. Criou o caminho, abriu todas as fendas no tempo e espaço e me jogou em você. Foi assim que senti, desta forma percebeu. Um sopro místico que de repente transformou nossas vidas.

E o tempo novamente tomou o controle. Separando você e eu. Uma distância sofrida, doida e solitária. Num planeta tão pequeno, mas que para nós parecia infinito tal era o sentimento de perda e vazio.

Mesmo assim, mesmo sendo quem sou, mesmo tão diferente de você, ainda assim continuamos a querer. Você a mim e eu a você.

Brincamos com o espaço. Curvamos o tempo. Demos um jeito sem jeito de ficar juntos, enganando Cronos. Fingindo que seria possível. Nos apaixonando dia após dia, mais e mais, sem sequer perceber.

Quando novamente, a distância do tempo se impôs. A dor foi inifnitamente maior. A tristeza sufocante. Algumas vezes nos tirando o ar e a razão. Lutamos bravamente para manter a sensatez. Falávamos das impossilbilidades. Acreditávamos que podiamos controlar, fazer e desfazer.

Como disse antes de minha partida. Esquecer é fácil. No exato momento que não ver você mais, esquecerei. Não foi assim, eu estava impregnada em você, nos lugares que estivemos, nas pessoas que conhecemos. Da mesma forma que você em mim, na lembrança, gosto, história e realidade.

O tempo foi passando e nada se modificou. Mais intenso e definitivo o sentimento se tornou.  O Amor vencera. Seu tempo que parecia insensatez, acertara na escolha.

Agora, você compreendia o que sentia por mim. Algo que nunca sentira por ninguém. Ainda que na impossibilidade de nossa relação, ainda assim escolheu continuar, porque sou a melhor pessoa do mundo que conheceu, a única que lhe faz sorrir ou ficar chateado apenas com o olhar. É a mim que ama, ama demais.

Eu, livre como sou, sempre acreditei no impossível. Entreguei tudo que sou a você. Sem preocupar com o tempo, sequer me importei com Cronos uma só vez. Apenas aceitei o tempo do Amor e amei, amei você como nunca havia amado alguém.

E aqui estamos, separados novamente pelo espaço. Perdidos na dor e na felicidade do amor. Procurando acreditar que nosso tempo voltará  e na beira do Bósforo, a luz do luar, vamos novamente fazer história, música, poesia e amar, amar, nada mais.

2 comments:

  1. Tempo e distância se tornam tão insignificantes diante de um amor tão grande como esse descrito aqui...

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  2. Tempo, amor...onde estará o meu?
    distância cruel que nos afasta do amor...
    Mas o amor é ainda mais poderoso!

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