Wednesday, April 27, 2011

Sem esperança


Quando deixei aquela cidade senti como ter deixado para trás toda a felicidade que havia conquistado. Nevava e o sentimento era de que a neve e minhas lágrimas se misturavam em poesia de tristeza, saudade e incerteza.

A janela de onde olhava parecia querer me impedir de ir. A sensação de pertencer àquele lugar, de ter algo a fazer ali, construir, era tão intense que se tornava física. E com essa sensação a dor toma conta. Me curvo, tentando conter tudo aquilo, controlar. Não podia ficar. Tinha que partir.

A única esperança é que sabia que voltaria. Sim, em pouco tempo estaria de volta.

E quando o avião deixou o chão. Quando finalmente tive certeza de que estava partindo. O coração parou, criando pressão tão intensa, que não foi um rio que escorreu, mas diamantes rolavam de meus olhos. Caindo a meu redor e deixando a impressão que o próximo passo seria a explosão. O coração parava, suspenso.

Retornei a um lugar que não era mais meu. Com a sensação de que me tornava prisioneira de novo. Voltava às incertezas e impressões de incapacidade, impossibilidades. O medo retornava a mente, alma, o coração estava parado, sem emoção. Melhor, em eterno pesar por estar onde não queria.

E fiquei ali, tentando e tentado, pensar que voltaria. Desjando voltar. Trabalhando e me esforaçando para voltar. Queria de novo estar em meu lar. No lugar onde a alma que tinha, antes escura e fria, brilha como o luar. Onde a magnífica estrela e a doce lua eram companheiras, sempre presentes.

O que dizer, destino? Acaso? Vida? SIm, vida, a minha sempre foi repelta de obstáculos, alias, com a de todos. No entanto eles sempre surgiram nos momentos em que estava tomada por outros.

Desta vez foi a implosão. Aquilo que estava latente simplesmente decidiu se expor e me obrigou a novo caminhar. Escolhas que não queria fazer, decisões que não desejava tomar. Fiquei escondida de mim por algum tempo, tentando fingir que tudo iria terminar como queria.

Brinquei de faz de conta. Me deixei transformar em heroína e fui, pouco a pouco, vencendo os obstáculo aparentes. Mas aquele que não podia ver, ronda. Era como se, no último momento, no instante da escolha, o julgamento seria imposto e teria que aceitar a decisão.

Estou aqui. Pensando se vou retornar a meu lar. Mesmo que seja para apenas me despedir para sempre. Mesmo que seja para dizer amo você e, mesmo não estando mais aqui, nunca vou deixar de amar.

Tenho mais que lágrimas agora. Meu sangue escorre e mancha tudo a volta. Marcando definitivamente o sonho que tenho de ser livre. Maculando a imagem de força que sempre vejo no espelho. Força que tiro todos os dias de dentro de mim, coragem que procuro para suportar a incerteza e o medo.

Estou cansada. Cansada de depender. Cansada de ver a própria imobilidade. Acho que agora começo a perceber que para poder ter o que  mais desejo, vou ter que perder o que me mantém viva. 

5 comments:

  1. Impossível não sentir essa dor junto contigo... Mas acredito muito que ela esteja com os dias contados... A gente sempre volta pra onde a essência da gente está... apesar de TODOS os obstáculos... afinal, eles só são isso, obstáculos. E acredito que nenhum seja definitivo. E vão acabar servindo pra aumentar ainda mais a alegria da volta e do encontro com essa terra tão sua.

    ReplyDelete