Wednesday, April 6, 2011

Preconceito




Preconceito. Palavra cujo significa é de conceito pré concebido, ou seja concebido antes de que se compreenda o conceito em si. Do preconceito se cria a discriminação, mas discriminar tem dois sentidos: o de classificar, separar por tipo, distinguir e um outro que só é negativo pela forma como o verbo discriminar é usado: quando discriminar combina-se com preconceito.

Normalmente essas duas coisas: o preconceito e discriminação ocorrem devido a outra palavra: estéreotipo ou estereotipar, ou seja generalizar um preconceito a todo um grupo de pessoas.

Andando por esse mundo, percebo que antigamente o preconceito era gerado pela falta de informação. Assim, não conhecendo um grupo ou nação. Acreditava-se em relatos fantasiosos e, muitas vezes inventados apenas para se controlar os relacionamentos com aquele povo.

Por exemplo, no início do século 20, muitos chamavam os turcos de bárbaros. O desconhecimento da cultura e civilização fazia com que se criasse imagens distorcidas de pessoas iletradas, incultas, não civilizadas e capazes de atrocidades. Como se atrocidades não ocorressem em países ditos civilizados.

Agora, no tempo da Internet, das mídias sociais, de toda essa rapidez e fluidez na informação, o novo criador de monstros, de estereótipos e no fim de preconceitos é essa mesma mídia.

A fim de ter audiência, criando polêmicas onde não existem, a mídia nos faz um desserviço quando mostra parte ou apenas uma faceta de determinadas culturas ou religião. Em alguns casos, o próprio governo do país  se incumbe desse despropósito, vendendo o país da forma errada.

Um exemplo disso é o que acontece com o Islã. Para podermos emitir qualquer comentário sobre esta religião e seus conceitos, antes de mais nada devemos conhecer o contexto de sua criação e seus fundamentos. Também é necessário que se compreenda a influência que as diversas culturas e civilizações exerceram e exercem sobre ela.

Assim como os cristãos, foram se diferenciando influenciados por costumes e até mesmo política. Com o Islã acontece algo semelhante, no entanto a mídia e interesses diversos transformaram essa religião, que tem pontos essenciais comuns a todas as religiões: amor a Deus, respeitar seu culto e amar ao próximo, em algo deformado e perigoso.

Esse estereótipo tem sido espalhado com muito fervor por pessoas que não compreendem que qualquer religião precisa ser interpretada. Quando o Estado onde ela é predominante não é laico, as coisa se misturam, com isso os interesse políticos, econômicos acabam por prevalecer sobre os ensinamentos básicos da religião.


Não sou especialista em religião, mas tive e tenho a oportunidade de conviver com muçulmanos. Apesar de no início ter levado comigo os preconceitos que meus próprios familiares e amigos possuíam, acabei por descobrir que existem diferentes interpretações e comportamentos dentro do próprio Islã. Comportamentos estes influenciados pela cultura do país onde a religião é praticada.

Ignorância, analfabetismo levam  a má interpretação religiosa ou pior, a considerar a interpretação de alguém a única real e verdadeira.  Isso não é  uma característica apenas do Islã. Ocorre em todos os lugares, até com aqueles que se dizem ateus.

O que falamos do Islã, como religião violenta, intolerante e discriminatória, deve ser visto soba ótica do país no qual é praticada.

Vivi entre seguidores do Islã e devo voltar a viver em breve.  Em nenhum momento houve intolerância com minha forma de crer em Deus. Intolerância que encontrei aqui, em meu próprio país. Minha postura, as roupas que usava ou qualquer outro fator que aparentemente me diferenciava deles, não gerou discriminação ou desconforto para mim.

Andei em grandes cidades como Istambul, Ankara, Bursa, Konya e por vilarejos com apenas 500 ou 600 habitantes. Estive lado a lado com mulheres cobertas dos pés a cabeça e mesmo assim não me senti pressioanada, assim como elas não demonstraram horror ou qualquer sentimento negativo pelo fato de eu estar de calça Jeans e com a cabeça descoberta.

Certo é que andamos perdendo o rumo. Achamos que tudo nos é permitido, inclusive impor nossa nudez aos outros. Me choca quando vejo folhetos que vendem o Brasil com mulheres semi-vestidas na capa, como se o Brasil se resumisse a samba, carnaval, futebol e mulheres com pouca roupa.

Nosso estéreotipo lá fora é esse. Na França, por exemplo, brasileira é algo muito menos diverso do que aqui. Pessoas de pela mais clara, cabelos lisos e olhos claros não são brasileiros para eles. Em minha caminhada, muitas vezes não acreditavam que sou brasileira. Tenho um comportamento que não condiz com o que assistem na TV, aparência que não é exatamente aquela mostrada pela mídia.

O que assombra é que assisti a algo semelhante na TV aqui do Brasil, só que em relação ao Islã. Acredito que esse tipo de abordagem sobre como são as  pessoas de um pais, de uma religião é perigoso. Generalizações são perigosas e podem criar o pior tipo de preconceito, aquele que diz que precisamos exterminar determinado grupo de seres humanos.

O ser humano deveria, neste momento de seu desenvolvimento, ser capaz de pensar e avaliar  por si só. Livros, mídia, redes sociais, são importantes para a coleta de informações e impressões, mas é preciso muito cuidado com essa informação. A capacidade de analisar e avaliar depende da educação do povo. E sinceramente, o mundo tem deixado muito a desejar nesse quesito.

Volto a falar do Islã e de como o tenho vivido, não como seguidora, visto que não me converti, mas como observadora de mente aberta, coração livre e que além  de ler, reler, conversar com amigos e conhecedores, vive no meio deles.

O Islã vivido na Turquia está baseado no princípio de que cabe a Deus julgá-lo e não outras pessoas. Se você segue os cinco pilares: faz o testemunho de fé, reza cinco vezes ao dia, jejua no Ramadan, faz caridade e  peregrinação a  Meca, isso é mais que suficiente. O desrespeito aos preceitos é um problema apenas da pessoa e Deus. O uso da cobertura na cabeça, das roupas tradicionais também. Mesmo em pequenas cidades encontrei essa mesma postura.


Assim, a mida antes de generalizar, estereotipar, deveria primeiro aprender. Recomendo firmemente um curso que a PUC tem de Cultura Turco-Islâmica. Curso rápido, mas que esclarece alguns de nossos preconceitos e estereótipos.


Se desejar saber mais sobre a Turquia: Luzes da Turquia

4 comments:

  1. Delícia de leitura!!!

    Embora tenha discorrido sobre o preconceito com foco na religião islâmica, o assunto foi tratado de forma ampla, dando margem a reflexões do mesmo sob vários outros prismas.

    Outro ponto que gostei foi a menção acerca da imprescindível triagem de informações veiculadas pela mídia, informações estas que, quando "plantadas" em cabeças intelectualmente despreparadas, tornam-se uma bomba de alto poder destrutivo.

    Muito bom o texto!!!

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  2. O Estereotipo e o preconceito dificultam as relaçoes internacionais, ja sofri muito preconceito fora do Brasil, nuna passei isso no Brasil, isso e complicado, venho de uma familia de mente aberta por isso analiso com os meus olhos antes de dizer se e bom ou ruim, infelizmente do mesmo jeito que temos acesso a comunicação vejo que isso não contribui para tirar o véu da ignorancia das pessoas.

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  3. Entrem no meu blog www.falandodetudofalando.blogspot.com

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  4. Já estudei um pouco sobre o Islã e mesmo eu sendo cristã protestante e seguindo outros princípios, confesso a minha admiração pelos muçulmanos e me identifico muito com alguns costumes e comportamentos deles.
    Também não chego nem perto do estereótipo da mulher brasileira porque meu modo feminino de ver e viver são completamente diferentes do que o Brasil ensina.

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