Monday, January 3, 2011

Turista e Viajante



Viajar é bom, divertido e muito instrutivo. Certo? Nem sempre. Existem dois tipos básicos de viajantes. Aqueles que fazem turismo e os “viajantes.” Qual a diferença? O olhar, a coragem e acima de tudo o desejo de compreender.

Durante minha vida, um de meus  hobbies, foi observar as pessoas em momentos diferentes de sua rotina. Gosto de perceber como cada um encontra soluções, faz procurar e acima de tudo aprende sobre o mundo a sua volta. Isso serve para meus escritos e o trabalho como educadora.

Assim, nestes anos de viajante, comecei a perceber certa similaridade em comportamentos. O turista conhece tudo que está na revista de viagem mais popular. Chega e procura tudo aquilo que está no guia, tira sua foto e vai embora para o próxima. Quando colocado em situações, nas quais precisa “virar-se”, congela. Transforma-se em criança assustada e talvez, seja esse um dos motivos que faz que a maioria viaje em bandos.

Bandos. Isso é um ponto comum no turista. Eles funcionam como uma manada, alcatéia ou algo assim. O mais “saidinho” é o porta-voz. Aquele que aborda o recepcionista do hotel. Chama o táxi. Compra os ingressos e acima de tudo faz os pedidos no restaurante.

E eles falam alto em museus. Triam fotos com flash onde não é permitido. E se comportam como aquela criança mal educada que tanto detestamos em nossa casa. Fazem isso na casa dos outros.

O turista entra naquelas lojinhas d quinquilharias e compra um gorro com o nome do local ou camiseta, e a usa no dia seguinte. Ele se preocupa em aparentar conhecimento e acima de tudo, nunca confraterniza com os locais. Afinal, são poucos os turistas que falam o idioma.

O viajante tem coisas em comum com o turista. Uma delas é que é hóspede na casa do outro. Mas ele se preparou, tentando conhecer os costumes e hábitos que podem lhe facilitar a vida na exploração do novo mundo. Tenta aprender algo do novo idioma e o faz antes e durante a viagem. Conversa com todos, mesmo que seja através de mímicas e se não pode ver todas as obras de um museu, ele volta. Afinal, existirão outras viagens.

O viajante respeita as regras e aprecia ser confundido com locais. Ele não visita apenas os minumentos famosos, mas observa o dia a dia a sua volta. Vê como as pesoas se vestem, comem, conversam, tomam o trem ou metro. Olha na rua e percebe cada olhar, cada palavra, mesmo que incompreensível, do que dizem.

O viajante jamais quer ser percebido. Ele quer perceber. Misturar-se e superar preconceitos e estereótipos. Aliás, esse é outra diferença entre o turista e o viajnate. Um deixa seus preconceitos em casa, outro o traz consigo em seu grupo que o protege e mantém dentro de casa, mesmo longe.

O turista vê. O Viajante aprende.
Eles não têm nacinalidade específica. Estão em todos os lugares, falam diversos idiomas e comportam-se de forma muito semelhante. São pessoas que passam 3 dias em cada porto , conhecem 20 cidades e tiram fotos de tudo que todos estão cansados de ver na Internet, em livros e na tv. Voltam para casa modificados, naturalmente. Não existe viagem, turística ou de viajante, que não modifique quem a faz.

O viajante entretanto traz mais. Traz amigos, experiência, aprendizado e acima de tudo a alma mais livre, o olhar menos preconceituoso e a certeza que a humanidade é  uma só. As diferenças são apenas cores e sabores de um mesmo prato.


2 comments:

  1. É exatamente assim amiga!
    São poucos que se interessam realmente pela cultura local.
    No telecine está passando um filme que retrata bem esta situação.
    Aproveite bastante e assimile o que puder, isto é o que mais importa.
    Bjusss

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  2. É amiga, mais uma bela reflexão sobre o que podemos chamar de "comportamento humano"
    Acredito que nem é preciso estar em outro país ou cidade para perceber essa diferença entre viajante e turista,esses comportamentos podem ser notados nos próprios bairros onde vivemos.

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