Monday, November 1, 2010

O Islã e Fatma

Há alguns dias coloquei um post contando a história de Fatma. Muitos o leram, poucos o compreeenderam. Alguns o confundiram.

Fatma não é uma história que fala do Islã. Ele fala de uma mulher que viveu em uma cultura que usa o Islã como desculpa para manter o poder, cometer atos desumanos e, acima de tudo, que coloca a mulher numa posição de objeto na sociedade.

O tipo de ação que o Islã prega, o que está escrito em seu livro sagrado, não difere muito do que consta nos livros de outras religiões.: amor, respeito e seguir, antes de mais nada, o caminho de Deus. Ponto. Simples assim.

O Islã prega o respeito à vida. E como sempre acontece, interpretações errôneas acabam levando a atos impensados, injustificados e repletos de um desespero que muitas vezes não compreendemos.

O que aprendi até agora: que julgar um por todos, que transformar todo um povo em culpado pelos erros de alguns é errado. Mais ainda, preconceituoso e perigoso. Pois esse preconceito pode nos levar a presunção que devemos “exterminar” todo um grupo de crentes apenas por não conseguir distinguir entre os verdadeiros e os que só usam a religião como desculpa.

Essa manipulação sempre existiu. Afinal, tivemos inúmeros movimentos e guerras que foram calcadas nas desculpas religiosas. Não podemos fechar os olhos, ler a midia com a mente dispersa. Devemos compreender e tirar nossas próprias conclusões.

Cada país que têm o Islã como religião, seja no estado ou não, leva consigo mais que os conceitos da religião. Leva os conceitos, costumes e moral da cultura do povo que abraçou essa religião. Leva os dirigentes que muitas vezes manipulam os textos sagrados, interpretando-os para que se adaptem às suas necessidades.

Tenho tido a oportunidade de conviver com aqueles que têm o Islã como norte em suas vidas. Pessoas de coração aberto a receber e compreender as diferenças. Com quem converso e troco impressões, informações e aprendizados. Seres humanos exatamente iguais a mim.

Estive em um país em que 99% da poplacão segue os princípios de Allāh e seu profeta Muhammad. Em momento algum fui tratada com preconceito, recebi qualquer tipo de intimidação. Ao contrário, senti-me livre e feliz por lá. Tanto que vou voltar e passar mais tempo tentando mostrar a vocês que não é o Islã o problema e que a Turquia é um país incrível, as distorções que vemos são culturais.

Tenho a crença que as diferenças aparentes são apenas enfeites que a natureza proporcionou para termos um mundo mais colorido e divertido. A religião é um lugar onde seres humanos procuram segurança, orientação e compreensão. Ela nunca deve ser vista como ferramenta ou arma para a imposição e submissão.

Fatma é a história de uma mulher em um cultura, uma família e um momento. Existem tantas por aí. Em outras culturas com outra religião. Portanto não confundam a história de Fatma com a de uma mulher do Islã.

4 comments:

  1. Agora tudo ficou mais claro. Muito obrigado.

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  2. Esclarecedor, para alguém ou para um fim. Como vc deixou claro, confundiram! É importante esclarecer e parece qua alguém já está satisfeito. Qto a religião, todas, inclusive a católica, tem usado pessoas, dogmas, crendices, enfim, para pressionar o ser humano, as pessoas de td o jeito possível, vide a história real do catolicismo. E mts tb usam a religião em seu beneficio próprio e seus interesses. Dentro deste aspecto mt bom. Mas, prefiro vc!Entende?

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  3. Eu nunca percebi essa visão de que o catolicismo oprime, se fosse assim não aceitaria; ao contrário, sinto-me livre e protagonista e dessa mesma forma enxergo as pessoas, simples assim. Quem fala que o catolicismo oprime é porque não conhece ou não aceita a Biblia e ainda se proclama de historiador. O poder estar presente em qualquer grupo, formal ou informal da sociedade e, nesse aspecto, pessoas manipulam outras para se consolidarem como lideres. Mesmo os indios que decidem em circulo (representação da partilha) tem seu Cacique. Grande abraço, sou seu fã e sempre que tiver oportunidade externarei meu ponto de vista. Bjs

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