Wednesday, November 10, 2010

Milhares de sóis

Estou sentada em uma poltrona marrom, perto de duas lojas que vendem roupas e com um rapaz, jovem homem, dormindo logo aqui ao lado. Meu iPod toca música, sim, música é importante em minha vida. Tão importante quanto a escrita. É da música que colho energia para escrever. Expor o sentimento pode ser dolorido, falar das perdas, dúvidas e consequências, assustador. Assim, a música cria um meio no qual esses sentimentos se misturam e dispersam, fluem sem serem tão ásperos e cortantes.

Vejo cada dor como um novo diamante acrescentado a minha coleção. Um desafio que foi superado ou aceito. Acerto comemorado ou erro analisado. Nunca pensei em toda a dor como apenas isso: dor. Sempre a encarei como oportunidade de apender algo, crescer um pouco mais, subir em direção a perfeição sem nunca alcançá-la..

Enfrentei muitos inimigos cruéis, escondidos até mesmo naqueles que deveriam ser meu abrigo. Lutei batalhas e a guerra ainda não acabou, pois viver é um desafio constante, um buscar de respostas e soluções. A cada dia enfrento o pior de meus inimigos, aquele escondido no fundo de quem sou e é a ele que devo temer mais, pois algumas vezes esgueira-se e compromete meu objetivo.
Estou ouvindo o novo disco do Linkin Park, Thousand Suns, pensando que algumas vezes a vida nos parece exatamente como se milhares de sóis estivessem a nos iluminar e de repente todos apagassem. Deixando frio e medo virem em ondas avassaladoras a nos levar a um canto escondido e protegido, encolhidos na dor da incompreensão.

O quanto não somos responsávei por essas explosões. Contribuindo com atitudes sensatas demais, outras vezes desmedidas. Caminhamos queimando pontes que nos impedem de voltar, esquecendo que deveria ser possivel retornar, recomeçar. E lá ficamos nós, encurvados, quase desesperados, presos entre as chamas da desilusão que se apodera e conforta.

E não é apenas a escuridão que nos toma. O abandono, a descoberta que nossa luta é exclusivamente nossa e ninguém lutará por nós, o desejo da passividade, de não fazer nada e ficar ali esperando o inevitável, incontrolável e melancólico fim.

Veradeiramente falando, não sou assim. mesmo que mil sóis me abandonem, numa explosão catastrófica, independente da solidão nas lutas que travo, ainda acredito em mim e no outro. Confio em algo maior que simplesmente o ser, acredito no amar. Sem limites, sem fronteiras, sem preconceito. Apaixonar-se pelas pessoas e suas vidas, suas cores e sabores. Creio firmemente na qualidade da humanidade, mesmo agora.

Perder-se em um mar de pessoas que nunca lhe estendem a mão, de onde aparece um aceno solitário indicando novo caminho. E brinco de renascer, feito Fênix dourada, coberta de fogo e mel, escondida nas entranhas da indiferença do mundo, perdida na escuridão do universo, renascida em mim.

Essa energia, combustível infinito que me prende aqui, está nas pequenas coisas que conquisto. Um cumprimento, apoio na hora em que humanamente chego perto de sucumbir. Um beijo enviado por quilômetros de distância. Na flor entregue sem que eu saiba quem me enviou.

Sou aquilo que acreditei ser, continuo meu caminhar solitário a busca de respostas a minha principal pergunta:  “Quando iremos perceber que, eu sou vocês e vocês sou eu.”

6 comments:

  1. Boa noite, permita-me...
    Dizer que acabei de jantar uma boa e farta literatura, é inevitável não sonhar e sentir a ficção torturando a nossa memória como um pesadelo para estrair a essência do conhecimento.Ha! o meu despertar será de evolução para um ser humano melhor.
    Como sempre, amei mais este!
    Paz ao teu coração e seja feliz!

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  2. Quando leio seus textos, tenho a impressão que leio vc mesma. Feliz de quem, através da dor, possa amadurecer, tornar-se uma pewssoa melhor. Bjos, linda Heleny.

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  3. Achei lindo o texto Milhares de Sóis,o geito como tu descreves a situção.a simbiose com a musica,a analogia perfeita,o como não se entregar,o sentido maior na vida,realmente,um texto lindissimo,curti ele no meu facebook acho que todos tinham e tem que ter essa visão sobre o amor,sobre a beleza de amar.Você sabe amar,você nos guia no seu amor,beijos,te adoro.

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  4. “Quando iremos perceber que, eu sou vocês e vocês sou eu.”

    Isso é lindo demais!! Chorei, juro!
    Seus posts sempre me emocionam...

    Beijos mil! Sou fã!

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  5. Sabe Leny... lendo esse texto seu estive pensando: palavras, a depender de como são agrupadas, transformam-se em uma "porção mágica"... com um enorme poder transformador. Às vezes, ao escrever, o autor não faz idéia de todos os atos que se desencadearão a partir da leitura do seu texto.
    Esse, por exemplo, falou muito comigo. Você deu certa "concretude" a algumas das minhas abstrações meio informes rs... Sentia, mas não conseguia elaborar a idéia, sabe?!
    Esse foi demais!!! Bjos minha linda!!!

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  6. Beijos a você! E o escritor não ;e um mágico que encontra as palavras qeu temos na alma, escondidas e as deixa livre?

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