Wednesday, October 6, 2010

Saudade de você


Saudade. Estou com saudade de você. Uma saudade doce e forte, cheia de lembranças e esperanças. Saudade que invade o dia todo, mesmo quando não percebo. Saudade de estar com você, em você.

Quando a saudade chega, um sorriso aparece junto. Lembro de quando nos encontramos pela última vez. Lembro de seu olhar, quase furioso, pela ausência que nos impus. Lembro das palavras e acima de tudo de quando, mais calmo, me abraçou.

Foi naquele dia que a saudade começou. Andando juntos por um caminho novo. Olhando de forma diferente para o que tinhamos visto antes. Algo mudara em você e em mim. O que aconteceu só compreendi depois e acho que até agora você não entendeu.

Foi naquela tarde que você me convidou para ficar. Disse que queria experimentar de novo, tentar guardar para sempre o gosto de tudo. E com as mãos guardando as minhas, me conduziu para nosso espaço. Um quarto pequeno, perfumado por você e iluminado pelo pôr-do-sol. Cortinas brancas balançavam e as gaivotas buscavam seu alimento e gritavam.

Lembro de deitar em sua cama. E ficar vendo você sentado na janela. Sorrindo e olhando para longe. Recordo de tudo que falou e fez. Cada gesto, cada movimento e a saudade só aumenta.

E depois de ficar ali um tempo conversando, quase que namorando, você simplesmente chegou em mim e me levantou. Puxou meu corpo para perto do seu e foi sua boca quem escolheu o que faria depois. Foi tão intenso que o ar se foi. Tão profundo que esqueci de mim. E fiquei ali, entregue a seu sabor, sua exploração, sem saber como iria partir.

Você me deitou no tapete e continuou. Agora eram suas mãos que procuravam guardar o calor, a textura de minha pele. Lembro de você murmurar algo, não entendi. Cada um de nós falava em seu idioma, cada um de nós queria não sair dali.

Suas mãos invadiram meu corpo. Permitindo que as minhas buscassem o seu. Sua boca estava desesperada, angustiada pelos beijos, últimos beijos, os do adeus. E foi assim que tirou meu ar. Deixando-me sem respirar. Levou meu coração a quase parar. E perguntei: “Por quê?” Você não quis dizer. Apenas me olhou de novo e beijou. Apenas mergulhou em meu corpo como se quisesse nele se afogar.

Ficamos ali deitados. Enrolados. Quase um. E depois de alguns instantes, você voltou a procurar. Queria meu sabor, meu amor e em mim se perder. Entrou, abalou e me fez querer também, que o tempo parasse que nada importasse apenas eu e você.

A tarde morreu. A lua nasceu e nós ali a sonhar. Com um tempo sem tempo, com o futuro impossível, com nós dois em outro lugar. E durante muito tempo, esquecemos do amanhã e ficamos ali a nos doar. Você recebendo e me dando, ensinando que é possível amar. E naquela dança louca, doce e intensa nosso adeus se perdeu. Sabia que um dia eu voltaria e seria para sempre o amor que você escolheu.

6 comments:

  1. Não tenho palavras!
    Maravilhoso.

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  2. Que coisa linda!!!

    Amei demais!

    Beijos!

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  3. Heleny,
    Coisa boa desejar e ser desejada nessa intensidade!
    E o melhor relatar tudo com uma sutileza impar.
    Como sempre sua leitura me encanta.
    Bjos minha linda!
    Lana

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  4. O Amor imenso descrito em palavras intensas. Como é bom se entregar em momentos únicos e mante-los registrados na memória.

    Parabéns pelo texto

    MarquesK

    Só o Rock Alivia

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  5. e....Foi naquele dia que a saudade começou. Lindo ! Beijos

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  6. Lindoooooo!!! A intensidade das palavras que você usa é incrível!!! Faz a gente sentir o momento e nos remete às nossas próprias saudades. Muito bom!!!

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