Friday, October 29, 2010

Encontrar. Perder.

Acordei cedo. Cedo demais. Ou seria que dormi cedo e acordei tarde? Não sei. Apenas estava escuro quando meu corpo resolveu se perceber. E ele doeu, uma dor estranha, que entendi ser a dor da ausência. Dor de não estar com você.

Fiquei ali, parada, olhando para lugar nenhum e vendo tanto. O sorriso que me dava pela manhã. A carícia no rosto, suave e quente. E depois os minutos de silêncio, onde abraçados, sonhavámos acordados ouvindo os pássaros, pensando no mar.

Foi dessa ausência que acordei. Lembrei que ontem falei com você e que suas palavras começavam a dizer, o que havia compreendido em seu olhar. É difícil para você dizer o que sente, mais difícil é escrever. Falar das entranhas e reviravoltas, dos furações e tempestades que o assolam quando me aproximo.

Ontem você disse que sou pura e clara, como o cristal. Um pedaço de simplicidade num mar de complexidade. Sou a porta que abre suas esperanças, antes fechadas nas certezas das impossibiliades.

Juntos vencemos qualquer jogo, obstáculo ou dificuldade. E estamos juntos sempre, mesmo distantes. Mesmo quando as palavras são escassas, os sons remotos e a imaginação é a única forma de conforto.

Ontem lhe dei um desenho, um pedaço do meu lugar. Você me retribuiu com a lua e estrela. Minha Lua e minha Estrela, perfeitas como você ou como disse, como nós. Sim somos perfeitos. Um para o outro fomos feitos e por acaso nos cruzamos,  por acaso nos aceitamos.

E você falou de amor. Amor que parece desejar que seja para sempre, o AMOR. Disse que me amava, de um jeito quase imperceptível, disfarçado entre outras palavras, outros sorrisos e dizeres.

Percebi o começo de algo, o princípio da retribuição. Meu amor agora não estava mais solitário, ele tinha o seu como companheiro. Como dois namorados ficamos ali, um a escrever, outra ler e os dois a falar do dia, dos sonhos, até mesmo dos pequenos movimentos que fazíamos. Compartilhamos instantes, como se estivéssemos juntos. Sabores, perfumes e cores dividimos.

E quando falamos de tempo, falamos de quanto falta, você me disse para ter calma, o encontro valeria a pena. E me falou da vontade de meus beijos, da necessidade do abraço e do calor de meu corpo. Falou das conversas, dificuldades de comunicação. Falou tanto que me surpreendeu. Falou de mim e de você, como nunca aconteceu.

Até nos permitiu sonhar, disse que aqui um dia vai chegar, pois quer muito conhecer o meu lugar. Afirmei que sim, sabia que viria um dia, comigo ou sozinho para este cenário conhecer. Então você disse, sem pensar, que certamente seria comigo que iria aqui desvendar. E meu coração parou, pois você me colocava em seu futuro e não apenas no hoje.

E a felicidade que era minha. Felicidade que conhecia e se expandia quando estava com você, cresceu a ponto de tornar-se infinita. Pelas palavras, presentes e acima de tudo pelo silêncio que era preenchido pelo amor que vinha de você.

Agora eu compreendia, conseguia ver melhor que não era só eu que tinha me perdido, não só eu tinha mergulhado, eramos nós dois que passo a passo, sentimento a sentimento, nos havíamos encontrado no amor e nele decidido nos perder.

4 comments:

  1. Ah! Se pudesse retê-la em meus braços,no meu calor, com amor, paixão e prazer, seria este "o preço que pagarias', por tanta beleza, sensibilidade, intensidade, força, enfim... e não te deixaria ir, antes da exaustão completa da alma e do néctar do SER!
    Lindo!

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  2. Já te disse que você escreve muiiiito!
    Parabéns.

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  3. Esté é mais um texto lindo dessa mulhere que é maravilhosa,te amo guria.

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  4. Nda + sugestivo p uma noite enluarada de 6ªfeira. Parabéns! Bjs!!!

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