Friday, September 10, 2010

Primeiro



Caminhava na beira do mar. Sozinha. De repente senti um toque suave. Era a brisa que me acariciava. Lentamente e gentilmente mexia em meus cabelos. Roçava levemente em meus lábios. Sua parceria com o sol dava a sensação de um beijo. Ele aquecia, ela tocava.



E foi ali, na beira do mar. Com o roncar das ondas e o roçar do vento que lembrei de você. De nosso primeiro beijo.

Tínhamos nos conhecido há pouco. Estavamos junto há segundos.  Entretanto, a sensação era de sempre. Conversávamos com intimidade. Olhávamos para o mundo com cumplicidade. Nos conhecíamos mais do que os poucos instantes de nossa história.

Você sabia quem eu era. Eu conhecia muito de você. Era curioso e delicioso esse mistério. Estávamos ali, você e eu sem entender, por que de repente de dois parecia haver só um. Mentes afiadas, espiritos abertos e acima de tudo olhares iguais.

Caminhamos por toda parte. Você ensinando, eu aprendendo. Você questionando, eu respondendo. Foram horas maravilhosas. Mais e mais percebíamos que algo iria acontecer. Só não sabiamos o que.

Meu êxtase diante de tudo; do cenário, da história fazia você contar mais, sonhar mais. E em nosso caminho. Ali no inicio da noite, no exato momento que o sol e a lua se tocam. Foi a torre iluminada, saída do passado que me fez vibrar. Criança surpresa diante de tanta beleza. Olhos arregalados, sorriso escancarado e você ali, a admirar.

Seguimos o caminho. A torre logo ali. A música tocava forte, incisiva, Você me convidou a escutar. Passou seus braços ao meu redor, me puxou para perto. Colocou o rosto do lado do meu e ficamos ali, sozinhos no meio da multidão. A música, o luar, a torre e nos dois a desejar o que não tínhamos coragem de falar.

Foi você quem primeiro percebeu. Criou coragem e me volveu. Pegou nos braços, encontrou os olhos e tocou suavemente nos lábios meus. Foi invadindo devagar, primeiro como esta brisa a beira mar. Depois violentamente, com sofreguidão, um tufão a me tirar do chão. Como se querendo mover meu coração. Seu beijo me disse tudo. Do desejo. Do sonho. Falou do que viria então.

E eu sonhei com você o mesmo. De procurar juntos saciar aquele desejo e seguimos de mãos dadas buscando acalmar aquela sensação. No dia seguinte. Logo que o sol raiou. Descobrimos surpresos que o desejo tinha sumido e no lugar ficado só o amor.

6 comments:

  1. Amiga seus textos sempre me emocionam.

    Te adoro!!!


    beijo

    @DriPaulo

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  2. "Maravilhoso"... pois afinal, se existe o amor, não falta mais nada!

    Beijos minha amiga
    Continue brilhando com
    os teus textos, sempre!!

    Kristall =]

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  3. Que gracioso "a sensação era de sempre". Parabéns

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  4. Sempre que a alma canta, a poesia nasce!

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  5. Sensação infinita do amor, tão delicado,terno e eterno!
    Amo viajar nas suas palavras! Sinto-me mais que viva! Sinto uma explosão de sentimentos lindos aflorarem da minha alma!
    Obrigada Heleny pelo presente;) claudia

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  6. Descobrimos surpresos que o desejo tinha sumido e no lugar ficado só o amor.
    LINDO!

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