Sunday, September 26, 2010

Política, eleições e eu


Falar de tudo um pouco. Gosto dessa idéia. Falar do que sinto, do que imagino e principalmente do que observo.

Nesta semana sentei para observar a política e as pessoas que se envolvem com ela. Comentei certa vez que não falo de política. Motivo? Não consigo acreditar mais nessa instituição por estas bandas de Chavez, Evo, Lula e tantos outros tão diferentemente parecidos. Sou idealista e sonhadora, quase crente na utopia.

Percebi que as pessoas levam a política com a mesma seriedade que seus times de futebol. A mesma paixão envolve aqueles que apoiam um ou outro candidato. Certamente nem todos que acompanham e são devotos do futebol o são da política, se assim fosse talvez as coisas fossem diferentes. O que digo é que lendo sobre o assunto parece-me estar lendo uma crônica esportiva.

Existe o candidato que representa o vamos em frente. Time que está ganhando não se mexe. Apesar de rodeado de incertezas, notícias sobre imoralidades e irresponsabilidades. Mesmo assim continua ali, forte, crescendo e seguindo para  o Olímpo.

Tem o candidato que vem de um partido continuamente em dúvida. Não sabe se é oposição, situação ou seja lá qual for sua posição no cenário político. Permitiu que tudo que aconteceu de impróprio, inadequado fosse deixado de lado esquecido. Nunca conseguiu mobilizar o país, o povo.

Tem candidato que acha que porque veio de família pobre, teve inúmeras doenças na vida. Enfrentou as mazelas e impropriedades deste país e  passou alguns anos diringindo um ministério, conseguiu resolver os problemas. Acabou saindo por não ter sido capaz impor sua forma de gestão.

Tem candidato em todas as cores e sabores.

Li os planos de governo dos três principais. Apesar do tom da retórica todos apresentam as mesmas caracterísitcas. Irão resolver nossas "doenças", dar dinheiro ao povo, promover diminuição da pobreza, gerar empregos. Todos, sem exceção, conduzirão o Brasil a seu lugar no cenário internacional. Enfim, o mesmo de sempre.

Nada mudou desde que comecei a votar. As promessas continuam as mesmas, isso me parece um indicativo de que pouco mudou e continuamos com as mesmas necessidades. Todos falam em dar, em alguns lugares dão mesmo. Sacos de comida, roupas, facilidades que são cobradas para que se vote neles. O voto é um excelente produto nessa época, só que vale tão pouco.

Percebo que precisamos encontrar novas lideranças com coragem suficiente para fazer uma revolução. Não sangrenta, não forçada. A revolução da limpeza moral. Da garantia de que diante da lei todos serão iguais. Realmente iguais. Ninguém está acima da lei, ninguém merece benefícios que não possam ser estendidos a todos, ninguém é recompensado só por ser funcionário do estado, mas por sua competência  e necessidade de seu trabalho.

Quem teria coragem para enxugar de forma coerente a máquina estatal? Ninguém. Mexer com esse assunto é como acionar uma bomba. Impossível. Inaceitável e a morte política. Quem teria coragem de envolver-se om os quatro pilares básicos de um país: Educação, Saúde, Segurança e Meio Ambiente, deixando de lado o resto para quem sabe fazer melhor e com mais eficiência? Ninguém.

Neste país somos governados pelos mesmos. Não importando a cor da bandeira, os chavões e bordões. São pessoas cujo único interesse é permanecer do poder pelo maior tempo possível. Mostrar aos outros uma figura bonita, simpática, quase alegórica. Fim.

Nós brasileiros quem somos? Apenas fantasmas mainipulados por alguns poucos que, por ideologia, recalque ou outro motivo pessoal se empenham em vender o mesmo como novo.

Estou cansada de ler sobre “roubalheiras”, “petralhas”, ofensas e mais ofensas trocadas por aqueles que deveriam estar construindo um país melhor, não para nós, mas para nossos descendentes.

Ensinamos a nossos jovens que levar vantagem, não educar-se pode ser um grande caminho para o sucesso. Basta unir-se a um partido, militar por ele e quem sabe, se for carismático e bom de papo, transformar-se em líder das palavras e não das ações. Ganhe um cargo público ou se eleja e assim, enriqueça.

Ouvi de um rapaz que em Brasília, funcionário da Livraria Cultura, que é difícil conseguir pessoas que prestem um bom serviço por lá. Um empregado  atencioso, esforçado, criativo. Fiquei surpresa com a afirmação e questionei. Ele me respondeu.: “Todo mundo aqui está pestando concurso púbico, assim todo emprego é temporário. Então para que se esforçar?

Conseguimos construir um país com um povo que acredita que o Estado será capaz de lhe suprir todas às necesidades, sem esforço pessoal, sem merecimento, sem nada. Recebo apenas por existir.

Por isso me mantenho longe a política. Meu estomago não suporta. Minha alma dói de medo do futuro que meu filho terá. Fico pensando qual a solução? Sei a resposta: Educação. Mas ela não faz parte do interesse deles. Educar significa arriscar perder o poder. Povo educado é povo livre e povo livre sabe escolher.

Que futuro ele terá?

7 comments:

  1. Não mesmo, amiga.
    Os politicos não são os mesmos e nem a forma de fazer politica tambem é. Claro que há erros e deficiencias. Mas se olhar a evolução do Estado de São Paulo nestes 16 anos e compara-lo com qualquer outro Estado da Federação verá que há uma evolução e diferença impar. Saneamento Basico, Tratamento de agua,Usina de Compostagem (foge-me o nome adequado) , Hospitais, Escolas, Fatecs, Rodovias, Casas Populares de Alvenaria (sendo ampliadas para melhor adequação de familares)com teto solar, Ampliação dos Portos, Medicação entregue em domicilo. Enfim...ha uma infinidade de melhoria nestes 16 anos que devem ser considferadas na hora de se ler os Planos dos 3 candidatos a Gov.Federal:
    Quem fez, faz e fará.
    E olhe...nem se trata de torcida de time...mas realmente sou 45 !!
    Bjs

    PS: Mas voce escreve bem pra caramba, hein !!

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  2. Posso até concordar com você. Entretanto, a educação, ponto fundamental para que tudo isso seja reconhecido e ampliado, não teve uma modificação significativa. Não houve força para enfrentar sindicatos e impor qualidade e eficiência. Assim, mesmo sendo a opção menos "complicada" ela não ;e necessariamente a melhor. Como alguém sem força política real e um partido forte apoiando poderá modificar algo em todo o Brasil?

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  3. "Povo educado é povo livre e povo livre sabe escolher" concordo em gênero e grau, e tb concordo com sua posição política, eu penso a mesma coisa, não costumo entrar em méritos políticos, esportivos e religiosos, mas eu concordo, porque também penso no futuro do meu filho, da minha família e não consigo ver um panorama, um cenário bom... Isto me entristece, ver o Brasil caminhar para este coronelismo...

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  4. A política é a arte da barganha. e isso existe já na maioria das casas quando barganhamos as notas de nossos filhos dizendo a eles que só ganharão o presente se passarem de ano. Só comerão o docinho quando comerem toda comida. Só encontrarão presentinho do Papai noel se forem bonzinhos com papai e mamãe durante o ano. É isso que acontece quando essas mesmas crianças se tornam políticos. A unica diferença é que a barganha é um pouco mais milionária.

    Realmente é uma Utopia acreditar em um pais onde se tenha igualdade social. Isso não existe. O Sonho americano que o diga, hoje um pesadelo real.

    São Paulo que o diga. A maior arrecadação com o maior índice de criminosos por metro quadrado, enchentes constantes, basta uma garoa que a cidade para. O tão falado metrô que não serve pra nada. (Assista hj o Fantástico e verá o que passamos). Na educaçao não se reprovam mais os alunos (Absurdo).

    Vivemos em um pais que foi colonizado por ladrões e restos da escória rejeitada em seus países de origem.

    Como a mudança não foi de forma revolucionária (Coisa que brasileiro descarta). O processo é lento mesmo. Com o tempo o povo vai identificar os deputados e senadores que são donos de escolas, convênios, Hospitas e seguranças particulares e vão tirá-los de lá. Essas pessoas nunca vão permitir que essas grandezas do estado funcionem como se deve.

    Independente dos dois principais candidatos o Brasil caminha para ser uma grande potência econômica. Já somos o oitavo mais rico do mundo.

    Com toda crise mundial que aconteceu, nós resistimos firmes aqui. Amigos meus no USA estão morando em carros e sem emprego não tem mais tanto direito a Saúde e educação como antes. Algumas realidades lá já começam a aparecer.

    Agora não desista da política simplesmente porque seu candidato não vencerá. É isso que o poder deseja. Meu time ficou 23 anos sem títulos e recentemente caiu para segunda divisão. voltou e foi campeão. A torcida nunca deixou de acreditar.

    Parabéns pelo Texto

    MarquesK

    Só o Rock Alivia

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  5. Boa noite, permita-me...
    Temo a política e a considero cruel e injusta por ser astutamente utlizada pelos hipócritas para explorar utilizando a própria utopia do povo buscando a obtenção de lucros ilícitos.
    exemplos de gente do povo que foram massacrados pela política, Jesus Cristo, Sócrates, Tiradentes etc. O texto em si é belo,merece só elogios...
    Paz ao teu coração e seja feliz!

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  6. Heleny, você acertou na comparação da política com as torcidas de futebol. As paixões são igualmente exacerbadas no meio do povão e mais analíticas entre os educados. Mas, você escorregou quando desejou uma solução através de um "salvador da pátria". Já tivemos vários e todos, sem exceção, foram desastrosos e tivemos que pagar um alto preço por isso. Mesmo assim, gostei que você tenha finalmente entrado no jogo : )

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  7. Minha intenção, sequer meu desejo, não foi clamar por um "salvador da pátria" todos que estão aí já dizer o ser.

    O que espero é que novas lideranças, com maior influência construtiva, moral e com coragem aparecem. Algo precisa ser modificado e caso permanece como está ficaremos nessa roda eterna de não fazer o necessário porque isso implica em perda política.

    Moralizar e acima de tudo implementar as mudanças necessárias é o grande desafio.

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