Wednesday, September 15, 2010

İstanbul



Quando começa uma aventura? O que é uma aventura? Aventura?!?!?!

A aventura começa quando você decide fazer algo que nunca fez, qualquer coisa. Pode até ser banal para outros, mas para você é algo especial. Inusitado. Aventura é experimentar e provar seus limites. Pelo menos é assim comigo.

Fevereiro deste ano, aceitei como contato em meu MSN um rapaz chamado Aly Dumman. Aceitei por dois motivos: gostei do nome e ele era turco. Uma nacionalidade da qual não tinha amigos virtuais. Esse é meu jeito, aceito as surpresas da vida. Aly foi uma delas.

Logo na primeira conversa a descoberta: ele vivia em İstanbul. İstanbul?, me perguntei meio que “puxando” da memória. Querendo lembrar onde já ouvira esse nome.  O que ele tem de especial? Fiz algumas perguntas, mas as respostas eram difícieis de compreender. Aly não falava inglês muito bem, aliás detestava inglês.

Algumas vezes a curiosidade supera nossos preconceitos e medos. Começamos, mesmo em um inglês rudimentar, a travar longas conversas. Aly falava das dificuldades de viver na Turquia. Eu conversava sobre o desencanto com meu país. Ele explicava as discriminações que sofria por ser filho de armenios. Eu explicava a discriminação que todos nós sofriamos por ser quem somos.

Aly era alguém repleto de problemas. Eu procurava algum lugar onde pudesse me refugiar e decidir minha vida. Enquanto ele falava das dificuldades de İstanbul, eu pensava em minhas próprias dificuldades.

Como tudo que me desperta interesse, iniciei uma pesquisa na Internet. Primeiro imagens. A primeira que vi foi da Maiden's Tower, ou Torre de Leandros. Uma torre que fica no meio das águas azuis do Bósforo. Foi paixão. Não tenho outra palavra para descrever.  İstanbul era o lugar no qual  iria me descobrir, encontrar.

Com essa idéia na cabeça comecei a procurar tudo que existia no Brasil sobre a Turquia e em particular İstanbul. Guias, poucos e mais nada. Procurei amigos. Aqueles que viajam o mundo todo. Comecei a pesquisar quem estivera por lá. Poucos, raros.  Dois ou três me falaram das belezas de Constantinopla e foi aí que lembrei: CONSTANTINOPLA, Constantino. Enfim localizei İstanbul em meu conhecimento.

Comentei que deseja ir até lá para conhecer. Todos ficaram surpresos. Para que? Sozinha? Não entendia o motivo, até que um amigo mais franco falou: “Motivo? A Turquia é um país  muçulmano, o que uma mulher vai fazer sozinha lá? Terrorismo. Terremotos. Isso não é o suficiente para você!

Não era. Existia um chamado. Um sonho que cresceu e de repente İstanbul era tudo para mim. Ela me atraia. A atração não tinha lógica. Apenas a sensação de que ali iria me libertar definitivamente. Encontrar quem realmente  era. Acima de tudo me aventurar nas descobertas de meu limite. Era isso. Nada mais.

Dia 12 de junho de 2010. Quatro meses depois de “descobrir” İstanbul aterrisei no aeroporto Atatürk. Cheguei sozinha. Decidida a enfrentar qualquer desafio que surgisse. Receosa no início, quase desconfiada. Cautelosa Apenas observando.

Logo de cara me entreguei ao primeiro desafio. Fazer o agente da alfândega sorrir. E consegui. Ele me olhou, acenou com a cabeça e nós dois sorrimos. Foi uma conexão.

Devagar fui me integrando. Assumindo que fazia parte daquele lugar. Amando, me entregando.  A ponto de não desejar voltar. Andar por Sultanahmed, percorrer os caminhos a beira do Bósforo. Subir na Galata Tower ou entrar em mesquitas e ficar ali, em silêncio. Tudo fez sonhar em viver ali para sempre.

İstanbul impregnou em mim.  Passou a fazer parte de minha vida. A aventura não foi ir até lá, mas voltar.

Compreendo agora que ali é meu lugar. Foi para lá que fui destinada. Tenho, de alguma forma um tipo de missão ali. Não me peçam explicação do significado. Apenas sei.

Como nunca desprezo um chamado. Abracei este de corpo e alma. Decidi que além de meu próximo romance Alexander ocorrer ali. Quero mostrar como este país é belo, forte, cheio de aventuras, das mais diversas. Algumas ocorrem na alma, outras no corpo.

Foi em İstanbul que Heleny nasceu de novo Foi ali que ela descobriu quem realmente era. E ela, sou eu.

14 comments:

  1. Heleny, entendo muito esta sua sensação. Me comovi aos arrepios. Lindo texto, sentimento vivo! Parabéns

    ReplyDelete
  2. Boa noite, permita-me...
    Pensei deixar para lê-lo amanhã, porém meus olhos sem educação foi logo comendo as primeiras frases, não teve jeito lí tudo! Moça isso é muito lindo, gosto deste tipo de literatura, eu a chamaria de surreal, mistura de sonho com realidade, Parabéns... Que lindo!
    Paz ao teu coração e seja feliz.

    ReplyDelete
  3. Amiga gostei do post!...Acredito que a unica forma de conhecer as pessoas e fazer novas amizades, é dando uma oportunidade há quem vc ainda não conhece.Sempre acontece assim, deixamos as pessoas entrar em nossas vidas,e fazemos a avaliação!

    ReplyDelete
  4. Excelente escrito. Viajei nas linhas e entrelinhas ! Um amigo próximo meu também se encantou com a Turquia. Retornou de lá faz pouco tempo e, melhor, pela segunda vez. Parabéns pela verve afiada. Bjs

    ReplyDelete
  5. Sempre tive vontade de conhecer Istambul/Constantinopla. Essa coisa de misturar antigo com moderno, o cheiro de história. Espero que você publique mais detalhes da viagem.

    Abraços.

    ReplyDelete
  6. NOssa... muito bom... tbém tenho uma paixão destas.. morro de amores por Madrid..onde nasceu minha pequena. Cada passagem por lá, me reencontro, me encontro e volto a me encontrar novamente.

    ReplyDelete
  7. Quero aventuras, quero encontrar meu lugar.
    Istambul? África? Talvez aquela cidadezinha ali, aquela onde nasci (Mossâmedes).
    Enfim, meu lugar ainda não conheço, mas não quero estar sozinho nele.

    ReplyDelete
  8. Se me permite, partilho a sua paixão,sinto que sou de lá.Pois,em menos de 7 meses estive na Turquia por duas vezes, e estou desejosa de voltar.Estive em Antalya e agora no inicio do ano vou para Istambul.
    Maria F.

    ReplyDelete
  9. Que linda descoberta, sabe que já me peguei pensando e cheguei até compartilhar com outras pessoas que sinto que a minha vida ainda vaitomar um rumo longe do meu país de origem "Brasil" também não sei explicar como e nem onde, mas vejo-me viajando por esse mundo, talvez trabalhando em ONGS, trabalhos comunitários, missões, sei lá.
    Quem sabe algum dia a gente não se encontre por aí nos redescobrindo né?

    ReplyDelete
  10. This comment has been removed by the author.

    ReplyDelete
  11. Caramba! Onde eu encontro um livro seu? Coisa linda! Você é uma escritora abençoada por DEUS.

    ReplyDelete
  12. Ha! eu esqueci de agradecer obrigado por me aceitar em seu Twitter.

    ReplyDelete
  13. Heleny, que delícia conhecer como a aventura começou, como o sonho se expandiu, que emoção enorme! eu me lembro das fotos em 2010... imaginava sim que tudo ali possuia muita profundidade na sua alma, era um chamado, e agora eu pude ter a honra de conhecer todos os detalhes da realização deste sonho , ESTAVA ESCRITO minha amiga :) MAKTUB que venha Alexander, que venham muitas histórias sonhadas na Turquia e história da Turquia que temos pouco acesso e através do Blog LUZES DA TURQUIA abriu-se um novo horizonte para nós :) eu senti isto ao ir para o Egito, sozinha também, vivi sensações parecidas, mas as suas vivências foram tão profundas! Um encontro de alma ISTAMBUL e HELENY , que está gerando Alexander, que gerou um blog e que ainda gerará muitoooo!!
    Obrigada sempre Heleny, por compartilhar conosco os sonhos, as suas realizações :) Amo muito tudo isto, você é maravilhosa!

    ReplyDelete