Tuesday, August 3, 2010

O som do Adeus.



Ontem estava deitada, me sentia mal. Um mal estar estranho que não compreendia. O corpo doia, os  olhos estavam cansados. A mente entretanto, estava alerta e de repente uma enxurrada de ideias começou a sair da ponta de meus dedos. O teclado não dava conta de tanto que tinha a escrever. Um capitulo inteiro de meu novo livro saiu em poucas horas.

Quando o jorro de criação parou, me sentia exausta,  como se a energia que estava em mim tivesse sido sugada. Lembrei da útlima vez que me senti assim:  foi em Istambul.

Andava pela cidade acompanhada por um amigo, era meu útlimo dia ali. Foi engraçado, pois me sentia triste como se estivesse abandonando minha casa, deixando para trás um propósito para o qual havia sido criada. Ao mesmo tempo estava empolgada com a possibilidade de conhecer uma nova cidade, Zurique. Eu falava e falava, meu amigo ouvia.


Depois de alguns instantes fiquei em silencio. Um silencio intenso, apesar do barulho das ruas à nossa volta. Estávamos no centro comercial de Istambul, Taksim, e mesmo assim o que ouvia era o silêncio e nada mais.

Caminhamos assim, nesse silencio, apenas olhando as pessoas irem e virem, apressadas ou apenas contemplativas. Víamos os turistas surpresos com a beleza do local,  os habitantes locais dispersos, pouco se importando se a 20 metros deles existia um aqueduto de mais de 1.000 anos. Ou se a estátua do criador da República da Turquia estava no meio da praça pela qual passavam.

O mundo corria a nossa volta. Nosso silencio continuava.

Depois de uma hora desse silencio, ele me olha. Seu olhar parece triste e ao mesmo tempo resignado. Um sorriso aflora em seu rosto o qual retribuo. E então ele começa a cantar. Não reconheço a música de imediato

Depois de algum tempo, e duas repetições, entendo o que ela diz. Fala sobre o som do adeus.

Adeus. Era exatamente o que estávamos dando um ao outro. Depois de alguns dias de companhia constante, onde desvendamos juntos alguns dos mistérios de Istambul,  depois de discutirmos política, religião, educação e principalmente história, de ser levada para lugares incrivelmente cheios de muitas vidas, eu partia e ele ficava.

O som do adeus era nosso silencio. Como se quiséssemos guardar os momentos de cada passeio,  cada monumento que visitamos juntos. Queriamos guardar as histórias pessoais trocadas, as brincadeiras, danças a beira do Bósforos e acima de tudo, o sentimento de amizade profundo que havíamos desenvolvido um pelo outro.

O som do adeus era tão intenso que sobrepujava os sons à nossa volta e pesava como o bater de um tambor. Firme, forte e definitivo.

Dizer adeus é difícil, especialmente quando a sintonia é tao grande e a possibilidade de reencontro remota. Ele cantava aquela música olhando para mim como querendo dizer: "Você esta levando um pouco de mim com você e deixando muito de você em mim."

Sim. Adeus é uma palavra dolorida. Entretanto, assim como a saudade, devemos ficar felizes por termos a quem dar e sentir. 

Esta era a música que ele cantava para mim: The Sound of Goodbye





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