Wednesday, August 11, 2010

Imortalidade




Sou uma pessoa cheia de amigos. Não sou boa em cultivar plantas, mas cultivar relacionamentos é comigo. Não existe um país onde estive do qual não voltei, pelo menos, com um amigo. Amigo mesmo, daqueles de escrever, trocar mensagens, telefonar e falar horas no IM, sempre que possível.


Índia. Canadá. Estados Unidos, Chile. Espanha. México. Turquia. E pelo mundo afora vou cultivando amigos. Dando e recebendo. São amigos que perguntam como você se sente e percebem, nas entrelinhas, se está bem de verdade ou  apenas disfarçando. São aqueles que o fazem usar a imaginação para se sentir melhor, pois na distância ter imaginação é fundamental.

Pois bem, conversando com um amigo do Canadá sobre mitologia grega, ele me perguntou: “Você gostaria de ser imortal?” Respondi de imediato: “Mas eu sou!” E fiquei imaginado seus lindos olhos azuis arregalados e o sorriso maroto de quem sabe que vai ouvir uma história.

Sou imortal. Pois vivi e vivo.

Minha imortalidade está em cada pessoa que toquei. Em cada um no qual pude acessar o sentimento e construir algo. Em cada vez que sentei ao lado e simplesmente ouvi. Ai se encontra minha imortalidade.

Nos alunos -  crianças,  adolescente e  adultos - que tive. Naquele que aprendeu a calcular custo de produto e preço de vendas aos 9 anos, pois queria vender picolés na praia. Ou na professora, nos seus quase 60 anos, que de repente se descobre capaz de lidar com tecnologia, simplesmente porque eu disse: “Você pode!” e acreditei nela.

Vivo e sou imortal em todos aqueles que precisaram de mim e me tiveram. E nos que não precisaram, mas apreciaram a companhia. Minha imortalidade está nas histórias que ficaram, nos sentimentos que floresceram, r veja, pode ser que nem se lembrem de mim, mas lembrarão de como se sentiram, do apoio recebido de alguém que eles não lembram o nome, mas lembram da ação. 

Sou imortal em meus escritos, em meus desenhos, em minhas pinturas. Imortal em minhas procuras e encontros.

Minha imortalidade está aqui e nas estrelas. Nos filhos que tive e ficaram e naqueles que não ficaram. Nos amores que senti. Nos beijos que dei. Nas vezes que fiz amor. Sim, sou imortal em todos esses momentos.

Imortal naqueles que me amaram, amam ou amarão. Nos que não me amam também. Minha imortalidade é real. Mesmo sabendo que não viverei para sempre.


2 comments:

  1. Como sempre, uma bela reflexão!
    Muito bom poder ler textos assim!
    O twitter (@cacoborba) permitiu que tais textos fizessem parte do meu dia. E ainda dizem que essas ferramentas via internet são "mundo virtual"... Não! Estão bem presentes no "mundo real". Cada reflexão, cada gentileza, cada texto que tocou e despertou algo!
    Como pastor posso dizer: agradeço a Deus por ter me dado a chance de chegar mais perto de tais reflexões. Agradeço a Ele por sua vida, sua inspiração e sua gentileza. E, claro, tenho que registrar que agradeço a você por aceitar essa inspiração, meditar e expressar de forma tão bela!
    Beijos!

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  2. Amo vir aqui! Amo de paixão esses textos! Quero o seu livro rss.. Vou procurá-lo p comprar!
    Beijos!

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