Thursday, July 29, 2010

Aşk



Sempre imaginamos como é quando um homem encontra o amor. Foi assim que um deles me contou e aqui narro sua história como disse que aconteceu. Verdade. Imaginação. Não sei. Achei a história bela e curiosa. Forneceu uma perspectiva do como um homem sente ao se apaixonar. Claro que tem minhas cores no texto, até porque ele veio em inglês e eu tive que "verter" para o português.

Ele mora em Istambul. Tem 41 anos e está casado há 10 anos com "ela". Eles contam essa história para todos que não acreditam nas possibilidades e encontros que a vida proporciona.

Enjoy

"Foi a primeira vez que aconteceu. Nunca antes, nunca depois. Lá estava eu parado, olhando o mar e de repente ela chegou. Olhou em meus olhos e pronto. Acabou.

O mar que antes era de um azul esverdedo, ficou azul demais, brilhante, intenso. O céu ficou vivo, parecia mais próximo, envolvente. O sol, nunca seu calor foi tão doce em minha pele. Não compreendia o que acontecia, mas acontecia.

Nossos olhos se mantiveram um no outro o tempo todo. Estaríamos juntos por duas horas, olhando as belezas e a história ao nosso redor. Ela parecia curiosa, concentrada e muito envolvida com aquele momento.

Eu apenas olhava e falava. Não ouvia o que dizia. Meus pensamentos voavam até meus sentimentos e acabavam por ficar confusos e totalmente embriagados pelo que estava sentindo.

Ela me perguntou sobre a cidade. A vida das pessoas. Salário. Alimentação. Ela queria conhecer muito mais que a maioria. Ela queria viver ali. Entender. Isso me cativou ainda mais. Me envolvi em suas procuras e fascinei-me com suas idéais e pontos de vista.

Mas cada vez que nosso olhar se encontrava algo acontecia dentro de mim. E toda a razão que poderia encontrar para aprecia-la esvaia-se ficando apenas o sentimento de afeto. Afeto que até então não sentira. Só que o afeto vinha acompanhado de mais. Queria toca-la saber se sua pele era tão macia e quente quanto parecia. Desejava saber se o gosto dos seus lábios eram doces ou se aqueles olhos tinham a mesma força quando vistos de perto, muito perto.

Pedi que tirasse novamente os óculos escuros. Queria vislumbrar mais uma vez a enregia que vi e senti. Ter certeza de não ter sido apenas uma impressão causada pelo dia de sol e o céu azul. Não era.

Duas horas e sabia que ela partiria e nunca mais a encontraria. O que fazer? Como manter aquele olhar dentro do meu por mais algum tempo. Precisava compreender. Saciar a curiosidade e a necessidade que agora percebia em mim.

Convidei-a a dividir a amizade. Conhecer a meu lado aquela cidade. Aprendermos juntos cada qual com seu olhar, suas idéias e experiências. Queria ve-la fora daquele ambiente mágico do pier, do sol, das águas do estreito. Queria ve-la no meio do povo e, quem sabe, perceber que tinha sido um lampejo de febre que me invadira.

Ela pegou o cartão que dei e ficou de ligar. Será? Pensei ali, sozinho parado no pier e olhando ela se afastar. Meu coração batia diferente. Num ritmo mais lento, como se minha energia seguisse com ela para algum lugar.

O resto do dia passou lentamente, como sempre acontece quando queremos exatamento o oposto. Mas de repente o telefone toca e é ela. Aceitou o convite, Vou encontra-la novamente.

Não queria arriscar. Fiquei ali matando o tempo até a hora do encontro. Ela chegou, vestida de preto. Isso me abalou. Como ela sabia onde iríamos? Por que escolheu essa cor?

E lá seguimos nós. Falando de história. Discutindo. Eu mostrando cada canto que gostava. Ela se encantando com tudo. Apesar de nossa dificuldade de comunicação pela diferença de idiomas. Eu conseguia entender perfeitamente o que ela dizia, suas emoções eram claras para mim. Caminhamos lado a lado por um bom tempo. Fomos a tumba do herói. Ao templo onde minha fé dizia que o milagre estava acontecendo, mas minha mente o rejeitava. Milagres não acontecem.

Não sei dizer como, mas toquei suavemente em sua mão. Ela não me rejeitou. Segurei-a firmemente como se nunca mais fosse soltá-la.

Seguimos passeando. Questionando. Discutindo. Enfim, parecíamos nos conhecer há muito, apesar do breve instante que estavamos juntos.

O que me intrigava eram os olhos. Cada vez que tocavam os meus era como a lava de um vulcão a me queimar. Eles diziam coisas que não compreendia. E os meus perguntavam sobre aquilo que eles não respondiam.

Destino deve existir, pois bem ali, a nosso lado tocavam violinos. Não românticos, mas fortes, ágeis, repletos de vivacidade e cor. Exatamente como o que sentia quando estava com ela. Deixei-me levar pela música, local e a mão dela. Puxei-a para perto e a beijei. Foi exatamente como pensei. Doce, profundo e invasor. Fiquei ali perdido naquele beijo. Nunca beijara antes, foi o que conclui.

Continuamos a andar e passear. Comemos bobagens. Falamos bobagens. Rimos e ficamos em silencio. O silencio ao lado dela era magnifico. Como se as palavras fluíssem de minha mente para dela. Os sentimentos corressem do meu corpo ao dela sem a necessidade de nada a não ser estarmos ali.

Terminamos a noite sentados a beira d’água. Ela olhando as luzes da cidade. Eu olhando para ela.

Hora da despedida. Eu queria mais. Prova-la toda. Experimentar cada parte daquele corpo e mente. E ela veio. Veio comigo. Esqueceu a prudência. Esqueceu os medos. E simplesmente me seguiu para onde a levava.

A levei a minha casa. Meu quarto pequeno. Simples. Adoro aquele lugar. Da janela podia ver o ceú e ouvir as gaivotas. Ela entrou timidamente. E eu a abracei e beijei tão intensamente que percebi seu corpo tenso. Como que com medo ou dúvida. Relaxei.

Depois comecei de novo. Beijos mais suaves. Caricias mais leves. Ela se abriu. Num momento era ela e eu. No outro, no outro era só ele. Ele e nada mais.

Sexo. Sexo é ótimo. Gostava muito de praticar. Apesar de escolher seletivamente minhas parceiras. Mas aquilo não era sexo. Estava alucinado, desesperado por ela. Pelo cheiro, gosto e textura. Eu tocava e era tocado de forma inexplicavelmente sedutora. Completamente avassaladora. Estava fora deste mundo. Foram horas daquelas carícias. Da troca de emoções e sensações. Nunca fizera um sexo tão demorado. Nunca me envolvera tanto com ele.

Dormimos juntos. Não me lembro do momento em que o sono chegou, nem como cai nele. Apenas acordei com o vento mexendo nas cortinas e o olhar dela me queimando. Um sorriso. Foi assim que ela me recebeu.

Ela sorriu e como nunca acontecera antes, desejei estar nela novamente. Fizemos amor. Agora com mais calma, sentindo e percebendo mais. Fiquei impressionado como nos conhecíamos. Sabiamos exatamente como e o que fazer um com o outro. Era um teatro maravilhoso. Envolvente.

Logo depois ela se foi. Fique vazio. Mesmo o trabalho que sempre me alegrara foi automático hoje. A lembrança do perfume dela estava em mim. E isso me tomava de tempos em tempos como a recordação do que fizemos e demos um ao outro. Pensei: “O que é isso? Essa força tão poderosa que flui e atordoa?” Minha mente não encontrava resposta, mas minha alma disse: “Aşk”. Então compreendi."

4 comments:

  1. Aos românticos e sensíveis Deus deu o Dom da absorção. E é isto que esta menina faz de forma tão magnífica.Mesmo ao narrar um fato já lhe contado por outro, ela absorve o personagem, neste caso o feminino, de tal maneira, que nos leva, meros leitores, a nos transformar em privilegiados assistentes, hora na platéia, ora no palco, fazendo parte ativa do contexto.
    A sensibilidade desta narrativa,nos transporta ao foco principal do acontecimento. É como, se em um momento de ousadia extrema, nós nos sentissemos transportdos da realidade para a ficção da narrativa,onde assumimos o papel principal dos acontecimentos.
    Consegue a nobre escritora,impor aos seus leitores, o dom da ambiguidade: somos personagens ativos e passivos ao mesmo tempo. Deliciamo-nos com o desenrolar da história, e ao mesmo tempo, puxamos para nós a sequencia dos fatos, como se quisessemos alterar, a nossa maneira e bel prazer, o desenrolar dos acontecimentos..
    Parabéns por mais esta obra prima,o que aliás,não supreeende aqueles que te conhecem e te admiram...
    Bjusss.

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  2. Lindo, emocionante, apaixonante...

    Essa descoberta do amor, da importancia do outro é maravilhosa, revigora, alimenta a alma, nutri nossos sonhos.

    e ficamos em "suspiros"


    Beijo!!

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  3. Nossa que belo texto!!!!

    Estou sem palavras!!!!

    Parabéns!!!

    Beijos

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  4. Adorei o texto, um verdadeiro achado :)

    Obrigada por compartilhá-lo, é sempre bom ler uma história de amor...

    Beijos Lunáticos :**

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