Tuesday, April 20, 2010

Luz, Câmera e Quem sou?




As pessoas perseguem o sucesso como não são capazes de perseguir a sabedoria. Essa necessidade humana de ser o centro de atenções, estar em foco, tem sido explorada pela mídia, provando que a cada momento nós queremos mesmo é atenção, notoriedade, reconhecimento, sem o custo implícito.

O sucesso aqui, não está escrito nas intrincadas linhas de equações matemáticas, nem em observações e experimentações científicas. Ele, o sucesso, não se esconde entre tintas, letras, barro e interpretações, ele está restrito ao que se vê, ao comum fantasiado de extraordinário. Inveja-se os quinze minutos de alguns, sem que se perceba - mesmo que fique claro no contexto - o preço desse curto tempo de fama - e aí é que está o mistério, é fama e não sucesso o que foi alcançado - efêmero, tolo e muitas vezes criado como mercadoria.


Mercadoria que a maioria de n;os compra, fixando-se nessa notoriedade por não percebermos a nós mesmos com especiais. Somos, em pensamento, subprodutos, invejando os tolos que vendem seu corpo e seus ideias por quinze minutos. Acredito, com a firmeza da certeza de quem passou por vários níveis de incompreensão de si mesmo, que quem se ama, não precisa de holofote, pois está confortável com quem é.

Minha experiência prolongou-se por décadas. Anos nos quais passei sem saber quem era, sem apreciar quem era. Essa notável e complexa fase - alguns dão o nome a isso de baixa autoestima - foi, pouco a pouco, transformando o ser belo e completo que eu era em algo que nada saudável. Era um espectro de ser humano, sofria por quase anda, calava-me por tudo e na dança social alienava-me. 


Enquanto, algo inesperado e simples despertou meu eu, permitindo que acordasse, mesmo que dolorosamente, mesmo entre sangue e lágrimas, olhando a crueldade de quem eu me transformara no espelho, onde a deformidade e a doença enegreciam minha pela, roubavam o brilho do olhar e transformavam o falso sorriso em máscara mortuária. Só então, na coragem de estar face a face com esse 'eu', que o  o processo de modificação teve início. Foram passos, um seguido do outro, com recuos e avanço, que passei a aceitar quem sou e como sou.


Não me aceitei com conformismo. Na verdade, nunca fui e nunca serei uma pessoa conformada, não aceito preceitos como: "contente-se com o que tem". Minha aceitação veio do perdão que ofereci a mim mesma, perdão pelos erros, pelas omissões, por todas as mágoas e torturas que aceitei calada. Este primeiro passo, foi seguido pela soma da inconformidade com o trabalho, criando um novo ser - seria, na realidade, um retorno - o ser que eu sempre fora e nuca exteriorizara. Em pouco tempo - oito meses - meu exterior passou a refletir meu interior e, como disse uma amiga, me libertei e passei a ser quem realmente sou.


E os holofotes? Onde ficam na minha história? Bem eles não me importam, mas acontecem, mesmo sem eu querer. Acontecem de forma curiosa, e não por apenas 15 minutos. Eles são construídos nas linhas dos textos que escrevo, nos livros que publico, nas palestras que pronuncio e nas fotos que tiro. Curiosamente, ou melhor dizendo, como deveria ser, adquirindo sabedoria sobre quem sou, atrai pessoas que me apreciam. 


1 comment:

  1. Tudo o que desperta as vaidades do coração,coisas que massageiam o nosso ego nos levam para um buraco fundo sem que a gente perceba.
    Não existe coisa pior do que ser algo que as pessoas desejam que você seja,isso é suicidar-se aos poucos,criar uma prisão dentro da própria alma.
    Sábios são os que despertam a tempo e consegue encontrar suas próprias essências, seu valor natural.

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